14 de novembro, 2006 - 13h47 GMT (11h47 Brasília)
O ex-secretário da Defesa dos Estados Unidos Donald Rumsfeld poderá ser processado na Alemanha por causa dos supostos abusos de detentos na prisão de Guantánamo, em Cuba, e no Iraque.
A ação foi apresentada nesta terça-feira pelo Centro de Direitos Constitucionais, um grupo de advogados internacionais com base nos EUA, em nome de um prisioneiro saudita detido em Guantánamo e 11 iraquianos presos em Bagdá.
Segundo o Centro de Direitos Constitucionais, Rumsfeld aprovou pessoalmente o uso de tortura para extrair informações de prisioneiros.
A Justiça alemã permite o julgamento de casos originados em outros países.
O Centro havia apresentado uma ação similar em 2004, mas o caso foi abandonado pelos promotores alemães.
Pressão
Segundo Michael Ratner, presidente do Centro, há mais chances de sucesso desta vez porque Rumsfeld não está mais no cargo e não poderá exercer o mesmo grau de "pressão política".
Ratner disse ainda que há mais evidências do uso de tortura, incluindo o caso de um dos detidos, o saudita Mohamad al-Qahtani.
"Al-Qahtani é um homem que os Estados Unidos dizem ser da Al-Qaeda, que está em Guantánamo. Todo o registro de torturas praticadas contra ele em um período de dois meses foi exposto", disse Ratner à BBC.
Ratner se referia a um relatório publicado na revista Time, em 2005, que trazia diários secretos americanos, autenticados pelo Pentágono, descrevendo o tratamento de Al-Qahtani.
O advogado que lidera a ação, Wolfgang Kaleck, disse que a ex-general americana Janis Karpinski será a "testemunha estrela".
Karpinski era comandante das prisões americanas no Iraque quando vários prisioneiros sofreram abusos na prisão de Abu Ghraib.
O governo americano nega que tenha cometido tortura em Guantánamo e defende seus métodos de interrogação.
Donald Rumsfeld renunciou na quarta-feira passada, após as derrotas dos republicanos nas eleições de metade de mandato.