11 de novembro, 2006 - 04h30 GMT (02h30 Brasília)
Líderes militares dos Estados Unidos pretendem recomendar mudanças na estratégia do país para o Iraque, informou nesta sexta-feira uma autoridade americana.
O chefe do Estado-Maior das Forcas Armadas dos EUA, general Peter Pace, disse que oficiais estão mantendo suas próprias discussões e que podem adotar mudanças necessárias na estratégia.
Além dos militares, o governo também vai ouvir políticos sobre o conflito iraquiano.
O presidente americano, George W. Bush, deve se encontrar na segunda-feira com representantes do Grupo de Estudos do Iraque (Iraq Study Group, em inglês), uma força-tarefa com integrantes dos dois maiores partidos no Congresso dos Estados Unidos. O grupo apresentará sugestões para acabar com o conflito.
O Iraque foi uma das principais causas da derrota dos republicanos, o partido de Bush, nas eleições parlamentares e de governos Estaduais realizadas nesta semana. Após o resultado, o secretário americano de Defesa, Donald Rumsfeld, renunciou ao cargo.
Rumsfeld deve ser substituído pelo ex-diretor da CIA, Robert Gates, que faz parte do Grupo de Estudos do Iraque.
A Casa Branca afirmou estar preparada para receber novas idéias sobre o conflito. Correspondentes internacionais nos Estados Unidos têm dito que uma mudança na política americana para o Iraque não está descartada.
Duas opções
Pace disse à rede de televisão americana CBS que líderes militares estão fazendo uma avaliação crítica sobre o trabalho americano no Iraque.
“Nós precisamos dar uma boa e honesta avaliada sobre o que está funcionando e o que não está funcionando (...) e o que nós devemos mudar no que estamos fazendo.”
Segundo Pace, a saída de Rumsfeld não deve ter impacto direto na avaliação da estratégia.
“Nós revisamos continuamente o que está dando certo, o que está dando errado, o que precisa mudar”, disse.
O ex-secretário americano de Estado, James Baker, que preside o Grupo de Estudos do Iraque, tem dito que “manter a linha de ação”, como afirma Bush, é uma estratégia de longo prazo insustentável.
O Grupo tem analisado duas propostas, ambas em oposição direta às políticas do governo Bush.
A primeira prevê a retirada de tropas americanas em fases. A segunda é buscar uma aproximação com a Síria e com o Irã, para que os dois países ajudem a acabar com os conflitos.
A democrata Nancy Pelosi, principal liderança da oposição na Casa dos Representantes, disse nesta semana que a política americana atual é um “caminho catastrófico”.
100 mil a 150 mil
No Iraque, o ministro da Saúde do país afirmou que já morreram entre 100 mil e 150 mil civis na guerra, um número muito maior do que vinha sendo divulgado até então.
Autoridades iraquianas dizem que o total é calculado a partir da estimativa de corpos trazidos a hospitais e cemitérios.
Os números são controversos. Diferentes estimativas apontam desde 50 mil a 650 mil mortos.
Em novembro, 23 soldados americanos morreram no Iraque. Nesta sexta, três soldados morreram em dois incidentes, de acordo com o Exército.