10 de novembro, 2006 - 15h56 GMT (13h56 Brasília)
O ministro da Saúde do Iraque disse nesta sexta-feira que entre 100 mil e 150 mil civis já morreram no país desde o início da ofensiva militar liderada pelos Estados Unidos em território iraquiano, em maio de 2003.
Falando durante uma visita a Viena, na Áustria, o Ministro Ali Al-Shamari disse que a cifra é baseada em uma estimativa de que cem cadáveres em média são trazidos, todos os dias, a hospitais e necrotérios iraquianos.
O Ministério da Saúde do Iraque é controlado por simpatizantes de um clérigo radical muçulmano contrário à presença dos Estados Unidos no país.
A divulgação de estimativas de mortos no Iraque é uma prática que tem gerado polêmica. O número variam muito dependendo de quem faz o balanço, e até agora, nenhuma contagem oficial foi divulgada.
Divergências
Em outubro, a revista científica britânica The Lancet divulgou um estudo dizendo que quase 655 mil pessoas haviam morrido no Iraque em decorrência da guerra.
Mas o estudo foi menosprezado pelo presidente americano, George W. Bush, que disse que o sistema usado para estabelecer a estimativa não tinha credibilidade.
Uma contagem anterior, feita pela organização Iraq Body Count, indicava que 50 mil haviam morrido. A cifra é uma compilação de números parciais fornecidos por autoridades americanas e iraquianas, que deram seu respaldo à estimativa.
O diretor do principal necrotério de Bagdá disse na quinta-feira que, diariamente, estava recebendo os corpos de até 60 vítimas de atos violentos – como ataques sectários e de insurgentes.
Ainda nesta sexta-feira, militares americanos no Iraque disseram que mais três soldados dos Estados Unidos morreram no país – dois em Bagdá e mais mais um na Província de Anbar (oeste iraquiano).
Pelo menos 23 militares americanos já morreram no Iraque apenas neste mês. Em outubro, foram pelo menos 105 – o maior número mensal em quase dois anos e o quarto maior desde que as forças lideradas pelos Estados Unidos afastaram Saddam Hussein do poder, em 2003.