09 de novembro, 2006 - 18h41 GMT (16h41 Brasília)
Um símbolo da comunidade judaica de Munique reabriu suas portas nesta quinta-feira, 68 anos depois que Adolf Hitler ordenou sua destruição.
Centenas de líderes religiosos e políticos – entre eles o presidente da Alemanha, Horst Köhler – prestigiaram a cerimônia durante a qual a nova sinagoga da cidade recebeu os rolos do Torá, o livro sagrado dos judaísmo, levado em procissão pelas ruas do centro da cidade.
A reconstrução da sinagoga - que recebeu o mesmo nome que tinha anteriormente: Ohel Jakob, ou "Tenda de Jacó" -, junto com um centro comunitário e um museu judaicos, custou 71 milhões de euros, ou cerca de R$ 200 milhões.
Durante a cerimônia de abertura, o presidente Köhler afirmou que "ainda hoje, nosso sonho de uma vida normal para os judeus na Alemanha entra em conflito com a realidade de anti-semitismo aberto e latente".
Sonho x realidade
Segundo a agência Reuters, Köhler afirmou que "o número de atos violentos da extrema-esquerda está crescendo".
"É dever de todos nós envolver-se e agir para evitar que pessoas sejam exploradas, agredidas ou até assassinadas por causa de sua religião", declarou o presidente alemão.
Cerca de 9,3 mil judeus vivem em Munique, conformando a segunda maior comunidade judaica do país.
Há quase 70 anos, o governo nazista punha em marcha o chamado Kristallnacht –"noite de cristal" – um programa de perseguição a judeus que emprestou seu nome dos cacos de vidros de casas, pequenos negócios e propriedade de judeus destruídas pelo regime do 3º Reich.