08 de novembro, 2006 - 01h34 GMT (23h34 Brasília)
O líder sandinista Daniel Ortega venceu as eleições presidenciais da Nicarágua. Com 91,48% dos votos apurados, o Conselho Eleitoral do país declarou a vitória de Ortega no primeiro turno.
Ortega recebeu 38,07% dos votos e ficou nove pontos percentuais à frente de seu principal adversário.
Pelas regras eleitorais da Nicarágua, para vencer no primeiro turno Ortega precisaria de 40% dos votos, ou 35% mais uma vantagem de cinco pontos percentuais sobre o segundo colocado.
Em seu primeiro pronunciamento depois da confirmação do resultado, Ortega se comprometeu a manter a estabilidade e a trabalhar para "tirar a Nicarágua da pobreza" e pela "reconciliação" nacional.
O presidente eleito falou acompanhado do segundo colocado, o candidato conservador derrotado Eduardo Montealegre, que foi à sede da Frente Sandinista de Libertação Nacional para cumprimentar Ortega.
"O resultado do voto popular favorece Daniel Ortega, a quem telefonei para cumprimentar pela vitória", disse Montealegre, em uma coletiva de imprensa.
Ortega elogiou o gesto do adversário. "É um sinal da vontade que todos nós nicaragüenses temos de trabalhar pelo bem do país e pela estabilidade. E de que, acima de nossas diferenças políticas, em primeiro lugar está o compromisso que temos de tirar a Nicarágua da pobreza", afirmou.
O líder sandinista disse que estão se criando condições para uma nova cultura política no país, "que nos leve a trabalhar com espírito construtivo, colocando os pobres em primeiro lugar".
Apoio
Os Estados Unidos - que haviam promovido uma intensa campanha contra a candidatura do ex-revolucionário e alertado que a Nicarágua poderia perder a ajuda americana caso Ortega fosse eleito - se comprometeram a trabalhar com o novo presidente da Nicarágua, desde que este apóie a democracia.
"Os Estados Unidos estão comprometidos com o povo da Nicarágua", disse o porta-voz do Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca, Gordon Johndroe.
"Nós iremos trabalhar com seus líderes baseados no seu comprometimento e em suas ações em apoio ao futuro democrático da Nicarágua."
Líderes regionais foram rápidos em cumprimentar Ortega pela vitória.
Em um comunicado lido na TV cubana, o presidente Fidel Castro saudou "uma vitória sandinista que enche nosso povo de alegria".
O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, forte opositor da política norte-americana na América Latina, afirmou: "A América Latina está deixando para sempre seu papel de quintal do império norte-americano".
Passado
Ortega deverá tomar posse em janeiro.
Segundo o ex-presidente americano Jimmy Carter, que foi a Manágua para acompanhar as eleições como observador, Ortega mudou muito, e não é mais o mesmo homem que ele conheceu 20 anos atrás.
O líder sandinista diz que seus dias de revolucionário ficaram no passado e que agora acredita em investimento estrangeiro e reconciliação.
Na década de 1980, Ortega liderou a revolução sandinista, na qual lutou contra grupos paramilitares patrocinados pelos Estados Unidos, chamados "Contras". Cerca de 50 mil pessoas morreram durante o conflito.
Ortega presidiu a Nicarágua de 1979 a 1990.
Depois de 16 anos de sucessivos governos conservadores na Nicarágua, Ortega, que concorreu à Presidência pela quarta vez, diz que quer ver o fim do "capitalismo selvagem".
Cerca de 80% de nicaragüenses vivem com, no máximo, US$ 2 ao dia.