07 de novembro, 2006 - 15h36 GMT (13h36 Brasília)
O ex-líder iraquiano Saddam Hussein voltou a um tribunal em Bagdá nesta terça-feira, dois dias depois de ter sido condenado à forca, e pediu que os iraquianos se reconciliem.
“Eu convoco todos os iraquianos, árabes e curdos, a perdoar, a reconciliar-se e apertar as mãos”, disse Saddam, que está sendo submetido a julgamento por genocídio.
Saddam Hussein foi condenado no domingo à morte por enforcamento por causa do assassinato de 148 pessoas no vilarejo de Dujail, de maioria xiita, após uma tentativa de assassiná-lo, em 1982.
Neste atual segundo julgamento, Saddam está respondendo por acusações ligadas a uma campanha militar contra a população curda no norte do Iraque no fim dos anos 1980. Mais de 180 mil pessoas teriam morrido durante a campanha, conhecida como Operação Anfal.
Execuções
Se dirigindo ao tribunal nesta terça-feira, Saddam fez citações do Profeta Maomé e de Jesus Cristo, que pediram perdão a aqueles se opuseram a Eles.
A primeira testemunha a depor na sessão disse que ele, Qahar Khalil Mohammed, e outros homens de seu vilarejo se renderam a soldados iraquianos depois de terem recebido a promessa de uma anistia.
Mohammed, um curdo, disse que depois disso, todos foram enfileirados e os soldados atiraram neles. A testemunha sobreviveu apesar de graves ferimentos, mas outras 33 pessoas morreram.
Saddam rechaçou o depoimento, dizendo que ninguém poderia confirmar que o que Mohammed disse de fato ocorreu.
O governo do primeiro-ministro iraquiano, Nouri Maliki, liderado pelos xiitas, já deixou claro que deseja que a execução de Saddam ocorra o mais breve possível, mas alguns políticos curdos dizem querer que o caso Anfal seja julgado antes.
Outros julgamentos de Saddam ainda serão possíveis por acusações relacionadas à repressão a um levante xiita em 1991 e à repressão à população dos pântanos no sul do Iraque.