07 de novembro, 2006 - 12h29 GMT (09h29 Brasília)
Com cerca de 66% dos votos apurados nas eleições presidenciais da Nicarágua, o ex-presidente Daniel Ortega confirma sua liderança.
O líder sandinista continua com oito pontos percentuais à frente do segundo colocado, o conservador Eduardo Montealegre, com quase 39% dos votos.
Se este resultado for mantido Ortega poderá ser declarado vencedor sem a realização de um segundo turno.
Para ser eleito no primeiro turno, Ortega precisa ganhar 40% dos votos, ou 35% mais uma margem de cinco pontos percentuais sobre o segundo colocado.
Alguns partidários sandinistas já estão comemorando, mas Ortega ainda não se declarou vencedor.
Falando com jornalistas, Ortega disse que não importa quem seja o vencedor das eleições, é preciso lutar contra a miséria, trabalhar com investidores e tentar a reconciliação nacional, trabalhando com outros partidos.
Segundo correspondentes estas afirmações seriam um sinal de que Ortega, ex-revolucionário e líder da Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN), não quer mais ser visto como marxista.
Segundo turno
O adversário de Ortega, Eduardo Montealegre rejeitou os resultados parciais afirmando que vai enfrentar Ortega num segundo turno.
"Ninguém venceu aqui. Vamos para o segundo turno", disse.
Montealegre também destacou as irregularidades na votação afirmando: "Em uma democracia, isto é inaceitável".
O principal responsável pela realização das eleições nicaragüenses, Roberto Rivas, criticou a embaixada americana, que divulgou uma nota sugerindo “anomalias" no processo eleitoral.
“Nós prometemos ao povo nicaragüense eleições transparentes, e é isso que fizemos”, disse.
Os simpatizantes de Daniel Ortega já celebram a vitória pelas ruas da capital, Manágua, com observadores internacionais dizendo que o pleito e a apuração têm sido pacíficos até agora.
'Novo' Ortega
Washington disse que pode suspender a ajuda que dá ao país se Ortega for eleito.
O líder sandinista diz que seus dias de revolucionário ficaram no passado e que agora acredita em investimento estrangeiro e reconciliação.
Na década de 1980, Ortega liderou a revolução sandinista, na qual lutou contra grupos paramilitares patrocinados pelos Estados Unidos, chamados "contras".
Ortega presidiu a Nicarágua de 1979 a 1990.
Depois de 16 anos de sucessivos governos conservadores na Nicarágua, Ortega, que está tentando a Presidência pela quarta vez, diz que quer ver o fim do "capitalismo selvagem".
Cerca de 80% de nicaragüenses vivem com, no máximo, US$ 2 ao dia.