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06 de novembro, 2006 - 19h01 GMT (16h01 Brasília)

Partidos encerram campanha nos EUA em Estados-chave

Republicanos e democratas enviaram milhares de voluntários nesta segunda-feira para os Estados americanos onde a disputa entre os dois partidos é mais acirrada, um dia antes das eleições que serão realizadas nesta terça-feira.

Os americanos vão às urnas para eleger 36 dos 50 governadores estaduais, os 435 membros do Congresso e um terço do Senado.

O presidente americano, George W. Bush, participa nesta segunda-feira de comícios do Partido Republicano nos Estados da Flórida, do Texas e do Arkansas, todos no sul do país.

Os democratas, que aparecem na frente com uma vantagem apertada nas últimas pesquisas eleitorais, concentram a campanha em críticas à atuação americana no Iraque.

Políticos democratas acusam os republicanos de seguir "cegamente a política fracassada" de Bush e esperam obter o controle de pelo menos uma das duas casas do Congresso americano nas eleições.

Veja o especial da BBC Brasil sobre as eleições nos EUA

Menos previsível

De acordo com James Coomarasamy, repórter da BBC em Washington, apesar de tratar-se essencialmente de uma série de eleições locais, a votação desta terça-feira se tornou menos previsível diante da queda nos índices de aprovação ao presidente Bush e do elevado número de mortes americanas no Iraque.

Coomarasamy acrescenta, no entanto, que os republicanos intensificaram os esforços de campanha e conseguiram ganhar força nos últimos dias.

Milhares de eleitores já votaram graças ao sistema de votação nos Estados Unidos que permite o voto antecipado, em determinadas situações, em 36 Estados e no Distrito de Columbia

A expectativa, no entanto, é de que o comparecimento às urnas não chegue a 40% dos eleitores. Por isso mesmo, tanto republicanos como democratas têm se esforçado na reta final da campanha para motivar os eleitores a votar.

"Coragem"

Principal assunto da campanha, o Iraque também dominou o debate eleitoral nos últimos dias. Os dois partidos que disputam o controle do Congresso elogiaram o anúncio da condenação do ex-líder iraquiano Saddam Hussein no domingo.

Leia mais: Eleição nos EUA é "plebiscito sobre guerra no Iraque"

Mas a política americana para o Iraque sofreu novas e duras críticas em um editorial publicado nesta segunda-feira por um influente grupo de revistas militares.

O texto divulgado pelas publicações The Army Times, Air Force Times, Navy Times e Marine Corps Times afirma que o secretário americano de Defesa, Donald Rumsfeld, considerado o "arquiteto" da invasão no Iraque, "perdeu credibilidade junto à liderança fardada".

O editorial pediu ainda que o presidente Bush indique um substituto para Rumsfeld no Pentágono.

Pelo quinto dia consecutivo, Bush deve dedicar a segunda-feira à campanha em áreas consideradas vulneráveis por analistas republicanos.

No domingo, em Nebraska, o presidente disse que a condenação à morte contra Saddam Hussein foi um "evento marcante".

Bush pediu à audiência que agradecesse "os homens e mulheres das Forças Armadas" por sua coragem e qualidade, sem as quais o "veredicto (de Saddam) nunca teria ocorrido".

Congresso

Os republicanos têm freqüentemente acusado os democratas de "covardia" em relação ao Iraque e dizem que o Partido Democrata não está preparado para assumir os riscos necessários para tornar os Estados Unidos mais seguros.

Os democratas, por outro lado, afirmam que querem uma "nova direção" para a atuação americana no Iraque.

Analistas afirmam que, se vencer as eleições, o Partido Democrata pode pressionar por investigações sobre os preparativos do governo Bush para a guerra no Iraque.

Alguns democratas chegam a defender o impeachment do presidente por "enganar" o Congresso a respeito do programa de armas do Iraque.

O Partido Democrata precisa conquistar seis novas vagas para assumir o controle do Senado e 15 cadeiras para ter a maioria na Câmara.