04 de novembro, 2006 - 11h40 GMT (08h40 Brasília)
Todas as folgas de militares foram canceladas no Iraque como parte de uma operação para reforçar a segurança no país devido à expectativa de que seja anunciado neste domingo o veredicto contra Saddam Hussein.
Outras medidas incluem um toque de recolher em Bagdá, Diyala e Salahuddin, segundo o conselheiro para Segurança Nacional, Muwaffaw al-Rubaie.
Os simpatizantes do ex-presidente Saddam Hussein ameaçaram com mais violência caso ele seja condenado à morte.
O veredicto é esperado em meio a um aumento da violência no país - 83 corpos, alguns mostrando sinais de tortura, foram encontrados só em Bagdá nas últimas 36 horas.
Saddam Hussein e outros sete réus são acusados de mandar matar 148 xiitas em 1982 no vilarejo de Dujail depois de uma tentativa de assassinato contra o ex-presidente.
Reação
Os moradores de Bagdá disseram que nenhuma medida de segurança nova havia sido implementada neste sábado.
Muwaffaw al-Rubaie disse que o toque de recolher será iniciado no domingo.
Ele afirmou que "outras medidas de segurança" estão sendo consideradas, sem especificar quais.
O correspondente da BBC em Bagdá, Hugh Sykes, diz que uma reação violenta a um eventual veredicto de pena de morte não será uma surpresa na província de Salahuddin, de onde é Saddam Hussein, nem em Anbar, a oeste de Bagdá.
Muitos policiais, oficiais do Exército e integrantes do partido Baath moravam em duas principais cidades da região - Falluja e Ramadi.
Mas em outras partes do país pode haver também celebrações, como ocorreu quando os filhos de Saddam, Uday e Husay foram mortos, dizem os correspondentes.
Diferenças
O veredicto de Saddam Hussein deve ocorrer dois dias antes das eleições americanas, nas quais o Iraque tem sido um assunto quente.
Mais de cem soldados americanos foram mortos em outubro - o quarto pior mês para as tropas dos Estados unidos desde a invasão em 2003.
Nos últimos dias, diferenças entre representantes dos Estados Unidos e do Iraque sobre como melhorar a segurança no país vieram a público.
O primeiro-ministro iraquiano, Nouri Maliki, tem sofrido pressão para melhorar a segurança e tomar medidas mais duras contra milícias sectárias.
Maliki tem responsabilizado os americanos pela deterioração na situação, criticando a qualidade do equipamento e do treinamento dado às forças de segurança iraquianas.