01 de novembro, 2006 - 18h42 GMT (15h42 Brasília)
Os Estados Unidos disseram haver "indícios crescentes" de que a Síria, o Irã e o Hezbollah estão planejando derrubar o governo do Líbano.
De acordo com a Casa Branca, a Síria quer evitar a formação de um tribunal internacional para julgar suspeitos de envolvimento na morte do ex-primeiro-ministro libanês Rafik Hariri.
Segundo o porta-voz do governo americano Tony Snow, qualquer tentativa de desestabilizar o governo libanês violaria as resoluções da Organização das Nações Unidas (ONU).
Um inquérito da ONU investiga quem seria responsável pela morte de Hariri em 2005.
Reivindicação
Segundo o correspondente da BBC Paul Reynolds, a declaração da Casa Branca parece ser resultado da tensa situação no Líbano, onde o Hezbollah está reivindicando um terço dos assentos do gabinete, o que garante ao grupo o direito de veto sobre decisões que venham a ser tomadas.
O veto permitiria o Hezbollah a evitar a aprovação do tribunal internacional para julgar suspeitos da morte de Hariri, segundo o correspondente.
O líder do Hezbollah, Hassan Nasrallah, ameaçou convocar protestos de rua caso a reivindicação não seja aceita.
Segundo Reynolds, o comunicado do governo americano também levanta dúvidas em relação a qualquer disposição do governo Bush em considerar a Síria e o Irã parceiros potenciais nos planos sobre o futuro do Iraque, uma idéia que deve ser sugerida pela Comissão Baker para o Iraque (um grupo independente criado pelo Congresso americano que dá sugestões para o futuro do Iraque).
Tribunal
A Casa Branca se diz "cada vez mais preocupada com os indícios crescentes de que os governos da Síria e do Irã, o Hezbollah e seus aliados libaneses estejam fazendo planos para derrubar o governo democraticamente eleito do Líbano".
"Existem indícios de que um dos obejtivos do plano sírio é evitar que o atual governo libanês aprove o estatuto para a criação de um tribunal internacional que julgaria os acusados de envolvimento no assassinato do ex-primeiro-ministro Rafik Hariri", afirma o comunicado.
Em março, o Conselho de Segurança aprovou a formação de um tribunal internacional para julgar os acusados de envolvimento na morte do ex-premiê.
A ONU enviou o projeto de um plano para o tribunal às autoridades libanesas no dia 21 de outubro, mas ele ainda precisa ser aprovado pelo gabinete e pelo Parlamento do país ou pelo Conselho de Segurança da ONU.
Um legislador anti-Síria, Walid Jumblatt, pediu apoio aos Estados Unidos para a criação do tribunal.
"Se (o presidente libanês Emile) Lahoud e os aliados da Síria no Líbano não quiserem o tribunal internacional, este assunto ficará perigoso", disse Jumblatt à agência de notícias AFP.
Rafik Hariri foi morto no dia 14 de fevereiro de 2005, juntamente com 20 pessoas, em uma grande explosão em Beirute.
A responsabilidade pelo assassinato foi atribuída à Síria, mas o presidente do país, Bashar al-Assad, negou repetidas vezes que seu país tenha tido qualquer relação com o episódio.