30 de outubro, 2006 - 16h27 GMT (13h27 Brasília)
Os advogados de defesa do ex-presidente do Iraque Saddam Hussein se retiraram nesta segunda-feira do tribunal em que ele está sendo julgado, em Bagdá.
A decisão foi tomada depois de reivindicações apresentadas pelos advogados terem sido rejeitadas pelo juiz.
O chefe da equipe que defende Saddam, Khalil al-Dulaimi, apresentou 12 pedidos à corte.
A defesa queria que advogados não-iraquianos participassem do julgamento sem permissão prévia e exigia que o tribunal investigasse a suposta agressão de um advogado da defesa por oficiais de Justiça.
Al-Dulaimi também entrou em confronto com o juiz, Mohammad al-Khalifa, após o magistrado ter ordenado que o advogado de defesa parasse de chamar Saddam de "senhor presidente" e "sua excelência".
Antes de abandonar o tribunal, al-Dulaimi disse que não havia "condições para um julgamento justo".
O tribunal nomeou outros advogados para representar Saddam após a saída de sua equipe de defesa, mas o ex-líder iraquiano rejeitou a oferta.
Ramadã
O julgamento do presidente deposto, acusado de genocídio contra os curdos, foi retomado nesta segunda-feira após uma pausa durante o Ramadã, o mês sagrado muçulmano.
Saddam Hussein e outros seis réus são acusados de cometer crimes de guerra e crimes contra a humanidade durante uma ofensiva contra a população curda do Iraque entre 1987 e 1988.
A promotoria diz que cerca de 180 mil pessoas morreram durante o ataque, chamado de Operação Anfal.
Em um outro julgamento, o ex-presidente iraquiano é acusado de ter culpa nas mortes de quase 150 civis xiitas da cidade de Dujail, em 1982.
Um veredicto no caso Dujail deve ser anunciado no próximo domingo.