30 de outubro, 2006 - 09h46 GMT (06h46 Brasília)
Eleitores da República Democrática do Congo foram às urnas no domingo, na primeira votação completamente democrática desde a independência do país, em 1960.
O processo, em seu segundo turno, foi supervisionado por forças de paz da Organização das Nações Unidas (ONU), e a votação foi calma.
Entretanto, pelo menos uma pessoa morreu no nordeste do país, durante protestos sobre uma suposta fraude.
Além disso, o horário de funcionamento das zonas eleitorais teve que ser prorrogado no oeste do país por causa de fortes chuvas.
O resultado oficial da eleição deve sair em cerca de uma semana.
'Bagunça'
Os congoleses esperam que a eleição ponha fim a anos de conflitos e abuso de poder no país.
O presidente Joseph Kabila disputa o cargo com o empresário milionário Jean-Pierre Bemba.
Kabila tem forte apoio de moradores do leste do país, enquanto Bemba é popular no oeste.
Os simpatizantes do presidente acreditam que ele pôs fim à guerra que matou até 4 milhões de pessoas, e atribuem a responsabilidade pelo conflito a rebeldes como Bemba.
Já os rivais de Kabila reclamam que ele não é um congolês de verdade, já que cresceu na Tanzânia.
"Precisamos deste voto para colocar um fim nesta bagunça. Com a ajuda de Deus, nós vamos conseguir", disse o eleitor Isidor Kaombe à agência de notícias Reuters, enquanto esperava para votar na capital congolesa, Kinshasa.
"De agora em diante, os líderes vão governar para o povo, e não apenas se apossar do poder para sempre", afirmou outro eleitor, Theoneste Mpatse-Mugabo, à agência Associated Press.
Kabila saiu à frente no primeiro turno, no dia 30 de julho, mas conseguiu pouco menos que os 50% necessários para garantir a vitória.
Futuro
O correspondente da BBC em Kinshasa, Mark Doyle, disse que é impossível prever como o destino da República Democrática do Congo irá influir no futuro da África.
Segundo Doyle, o Congo faz fronteira com nove nações, e todas são atingidas pelas guerras provocadas pela longa falta de um governo real no país.
O país é rico em reservas de minerais como ouro e diamante, e atrai vários grupos armados - congoleses e estrangeiros - que têm intenção de saquear esses recursos.