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25 de outubro, 2006 - 00h10 GMT (21h10 Brasília)

Morales diz ter apoio da Venezuela ao Conselho da ONU

O presidente boliviano, Evo Morales, disse nesta terça-feira que o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, decidiu abdicar da candidatura do país a uma vaga rotativa no Conselho de Segurança da ONU em favor da Bolívia.

A Venezuela vem disputando - com o apoio brasileiro - um assento rotativo da América Latina no Conselho com a Guatemala, mas após 35 rodadas de votação, nenhum dos dois países conseguiu o número de votos necessários para se eleger.

“O comandante Chávez me ligou nesta manhã e disse que ele não poderia conseguir os dois terços dos votos necessários (na Assembléia Geral da ONU) para o Conselho de Segurança. Chávez disse que ele vai deixar a candidatura para a Bolívia. Nós somos candidatos ao Conselho de Segurança”, afirmou Morales, durante um discurso na cidade de El Alto, nas proximidades de La Paz.

Em entrevista sobre o assunto nesta terça-feira, antes da declaração de Morales, o ministro das Relações Exteriores, Nicolás Maduro, disse que a eventual retirada da candidatura só se daria com três condições.

"Só poderíamos discutir essa opção no caso de a Guatemala renunciar à sua candidatura", disse Maduro à rede de TV oficial Venezolana de Televisión. "Em segundo lugar, que o governo dos Estados Unidos cesse a sua pressão grosseira e a chantagem aos governos mundiais, e em terceiro lugar que haja um processo de diálogo transparente para buscar algum tipo de opção que represente a região."

Procurados pela BBC, funcionários do Ministério disseram que a posição oficial do país continua sendo a expressa por Maduro.

Em entrevista à agência de notícias Reuters, o embaixador da Venezuela na ONU teria minimizado as declarações de Morales e dito que a Venezuela ainda está avaliando suas opções.

A Guatemala também havia admitido renunciar à sua candidatura em favor de um terceiro país na semana passada, com a condição de que a Venezuela fizesse o mesmo.

Apoios

Apoiada pelos Estados Unidos, a Guatemala obteve maioria em quase todas as votações realizadas na Assembléia-Geral da ONU na semana passada, mas em nenhuma delas alcançou os dois terços exigidos.

O Brasil e os outros países do Mercosul apóiam a Venezuela, que é membro do bloco.

A previsão é que a votação na Organização das Nações Unidas seja retomada nesta quarta-feira.

O discurso antiamericano de Chávez tem lhe garantido o apoio de países que não simpatizam com os Estados Unidos, mas é um entrave à obtenção de votos dos aliados de Washington.

Os Estados Unidos vêm movendo uma forte campanha para a candidatura guatemalteca, argumentando que a Venezuela vai tornar as votações no Conselho inviáveis com sua oposição sistemática.

Havia a expectativa na sexta-feira, dia da última votação sem sucesso, que a pausa fosse utilizada por países latino-americanos e caribenhos para chegar a um acordo para o impasse, com o qual diplomatas da ONU já demonstraram irritação.

A América Latina é a única região que ainda não definiu o ocupante da vaga aberta à votação neste ano - cada região tem duas vagas rotativas, que são eleitas em anos alternados para mandatos de dois anos.

O país eleito ocupará o lugar da Argentina - o Peru só deixa seu assento no ano que vem.

Até a declaração de Morales, Costa Rica, Panamá e Uruguai eram os países mais cotados possíveis candidatos, no caso do abandono das candidaturas de Guatemala e Venezuela.

Em 19179, uma disputa entre Cuba e Colômbia levou três meses para ser resolvida e acabou dando o lugar ao México, que se propôs como nome de consenso.

O Conselho de Segurança tem cinco membros permanentes (China, Estados Unidos, Rússia, Grã-Bretanha e França) e dez rotativos (com mandatos de dois anos), que se distribuem entre os blocos regionais – África, América Latina, Ásia e Europa.