24 de outubro, 2006 - 15h59 GMT (12h59 Brasília)
O presidente do Banco Mundial, Paul Wolfowitz, acusou a China e os bancos do país de ignorarem direitos humanos e o respeito às normas ambientais ao fornecer empréstimos para países africanos.
Em entrevista ao jornal francês Les Echos (jornal ligado ao britânico Financial Times), Wolfowitz disse que a China desrespeitava os Princípios do Equador, um código voluntário de conduta criado para proteger princípios sociais e ambientais na aprovação de financiamentos feitos por bancos privados.
Os Princípios do Equador foram estabelecidos em 2003 pela International Finance Corporation, o braço privado do Banco Mundial.
A China ampliou suas relações com países africanos nos últimos anos, tentando abrir novos mercados para suas exportações e fornecimento de matérias-primas – especialmente petróleo – para sustentar seu crescimento.
Wolfowitz também disse que se preocupava com o fato de Índia, China e Venezuela estarem emprestando dinheiro a países pobres que acabaram de ter suas dívidas externas perdoadas.
“Há um risco concreto desses países voltarem a ficar endividados novamente”, afirmou.
O presidente do Banco Mundial disse que o banco estava tendo negociações muito "diretas" sobre o assunto com o governo chinês.
Críticas “inaceitáveis”
A China classificou os comentários de Wolfowitz sobre a correção de seus empréstimos como “inaceitáveis”.
O ministro das relações exteriores da China, Liu Jianchao, disse que os acordos feitos com países africanos se baseiam na igualdade e nos benefícios mútuos.
Ele acrescentou que os negócios ajudavam o povo africano a melhorar a situação social e a economia dos povos africanos, conforme a agência de notícias chinesa, Xinhua.
Jianchao também disse que a China não interferia na situação interna dos países.