22 de outubro, 2006 - 15h28 GMT (12h28 Brasília)
O governo do Sudão deu um prazo de três dias para que o enviado especial da Organização das Nações Unidas (ONU) à capital, Cartun, Jan Pronk, deixe o país.
O ultimato foi dado depois que o chefe do Exército sudanês acusou Pronk de divulgar "informações falsas" em seu blog pessoal em um website do sistema da ONU.
Pronk havia dito que o Exército está sofrendo muitas baixas no combate a rebeldes na região de Darfur, o que estaria "afetando negativamente o trabalho das Forças Armadas". Segundo ele, o moral está baixo e vários generais foram demitidos.
O enviado especial da ONU disse ainda que as milícias árabes pró-governo estão sendo mobilizadas novamente, o que contraria resoluções do Conselho de Segurança.
A milícia Janjaweed é acusada de atrocidades generalizadas, e até de prática de genocídio.
O Sudão resiste a forte pressão internacional para permitir que tropas de paz da ONU tentem acabar com o conflito em Darfur.
O ex-porta-voz das Forças Armadas, General Mohammed Beshir Suleiman, disse à agência de notícias oficial Suna que os comentários de Pronk são parte dos contínuos esforços do Ocidente para fazer com que o Sudão aceite a entrada dos soldados da ONU em Darfur.
Estima-se que mais de 200 mil pessoas morreram em dois milhões tiveram que deixar suas casas como resultado de três anos de conflito em Darfur.
O Conselho de Segurança da ONU aprovou resolução pedindo o envio de 20 mil soldados para a região, para substituir os 7 mil integrantes de uma força da União Africana que está precariamente equipada e não conseguiu pôr fim ao conflito.