16 de outubro, 2006 - 19h43 GMT (16h43 Brasília)
O ex-presidente iraquiano Saddam Hussein pediu que os insurgentes que atuam no Iraque esqueçam as diferenças internas e concentrem seus esforços em expulsar as tropas americanas do país.
Em uma carta de três páginas ditada a seus advogados e divulgada nesta segunda-feira, Saddam Hussein diz que "a hora da libertação está próxima", mas afirma que os iraquianos precisam "lembrar que o objetivo a curto prazo deve estar limitado a livrar o país das forças de ocupação e seus seguidores e não a tentar alcançar vingança" contra outras facções iraquianas.
Para o ex-líder, os estrangeiros são culpados por criar divisões "num país unido e coeso".
Saddam citou Jesus e Maomé ao pedir que os sunitas perdoem seus inimigos iraquianos - inclusive aqueles que ajudaram os americanos a encontrar seus dois filhos Odai e Qussai, mortos durante um confronto com tropas dos Estados Unidos na cidade de Mosul.
Imprudência
Ele condenou ainda o excesso de força usado em alguns ataques e afirmou que seus compatriotas vivem "o momento mais difícil da história".
"Peço que (...) apliquem justiça e retidão em sua jihad (guerra santa) e evitem ser arrastados à imprudência", afirmou Saddam na carta, que teria sido ditada a seus advogados durante um encontro de quatro horas numa prisão de Bagdá, no sábado.
O advogado Khalil al-Dulaimi afirmou que, durante o encontro, eles discutiram os julgamentos de Saddam Hussein.
No primeiro deles, o ex-presidente do Iraque é acusado da morte de 148 xiitas na cidade de Dujail nos anos 80 e no segundo, ele responde por genocídio contra a minoria curda durante uma ofensiva militar em 1987-88, batizada de Operação Anfal.
O veredicto e a sentença referentes ao primeiro julgamento devem ser anunciados no dia cinco de novembro. Saddam Hussein pode receber a pena de morte por enforcamento, mas ainda haveria a possibilidade de recurso à Suprema Corte.
Violência
No mesmo dia em que é divulgada a carta em que Saddam Hussein afirma "sonhar com um grande e unificado Iraque, que não seja dividido por cor, facção ou acusações", pelo menos 20 pessoas morreram em explosões quase simultâneas de dois carros-bomba em Bagdá.
Os alvos foram um mercado de rua e um grupo que se reunia durante o pôr-do-sol para o fim de seu dia de jejum do Ramadã.
Mais cedo, um policial foi morto e pelo menos sete pessoas ficaram feridas depois de explosões perto de um banco, no centro da capital iraquiana. E nos arredores de Bagdá, foram encontrados dez corpos com marcas de tortura e de tiros.
Na cidade de Suweira, ao sul da capital, outra bomba deixou dez mortos em um mercado.