16 de outubro, 2006 - 09h55 GMT (06h55 Brasília)
O presidente de Israel, Moshe Katsav, decidiu não participar da cerimônia de abertura do Parlamento nesta segunda-feira, depois das ameaças de vários deputados de se retirar do local em protesto contra sua presença.
A decisão veio poucas horas depois de a polícia israelense ter solicitado o indiciamento do presidente por estupro e uso ilegal de grampo telefônico.
Katsav nega todas as acusações, inclusive a de que teria forçado duas mulheres que trabalhavam em seu gabinete a fazerem sexo com ele.
A decisão sobre um eventual indiciamento será tomada pelo promotor geral Menachem Mazuz.
Em entrevista à BBC, a ministra da Educação de Israel, Yuli Tamir, disse achar que seria um erro de Katsav participar da abertura da sessão de inverno do Knesset.
"Ele deveria evitar o constrangimento tanto dele como do cargo que ocupa. Ele já fez o suficiente para nos constranger a todos", disse ela.
O irmão de Katsav, Lior, disse à rádio do Exército de Israel que o presidente resolveu deixar de ir ao parlamento para proteger a dignidade do Knesset.
"Não temos dúvidas de sua inocência. Sabemos que ele está sendo vítima de uma armação e que está sendo acusado por coisas que não aconteceram", disse Lior.
Ameaça de impeachment
O cargo de presidente, para o qual Katsav foi eleito para um mandato de sete anos em 200, tem pouco poder político.
Katsav, que tem 61 anos e cinco filhos, é membro veterano do partido de direita, Likud e foi ministro dos Transportes nos anos 80, e ministro do Turismo e vice-primeiro-ministro em 1996.
Ele rejeitou os pedidos para que renunciasse, mas o correspondente da BBC em Jerusalém Richard Miron disse que ele pode mudar de posição caso seja indiciado.
Como membro do Knesset, Kastav está imune a um processo, caso a promotoria decida pelo indiciamento.
Mas os deputados poderiam buscar o seu impeachment, suspendendo a imunidade, se considerarem que ele agiu de forma imprópria.
As alegações contra Katsav tiveram grande repercussão no país, e teriam, segundo o correspondente da BBC, aumentado ainda mais a desilusão do público israelense com a classe política.
O clima geral é de insatisfação, diz o correspondente, depois de uma série de escândalos e do desempenho dos líderes do país na recente guerra no Líbano.
As acusações contra Katsav são as mais graves já feitas contra um político israelense - apesar do envolvimento de um presidente anterior e de vários ministros com escândalos financeiros e de condenação de um ministro da Defesa por assédio sexual.
Segundo a imprensa israelense, as acusações contra o presidente são fundamentadas em denúncias feitas por dez mulheres.
A polícia já interrogou o presidente várias vezes e realizou uma busca na casa dele em agosto, depois que vieram à tona as acusações de assédio sexual.
Katsav nega as acusações e diz que está sendo vítima de um "linchamento público sem julgamento ou investigação".