12 de outubro, 2006 - 13h28 GMT (10h28 Brasília)
O romancista turco Orhan Pamuk, que chegou a ser processado em seu país por "insultar a identidade turca", recebeu o prêmio Nobel de Literatura deste ano.
A Fundação Nobel, em Estocolmo, disse que "à procura da alma melancólica de sua cidade natal (o escritor) descobriu novos símbolos para o choque e o entrelaçamento das culturas".
Segundo a agência Associated Press, a decisão surpreendeu poucos, e gerou uma "breve mas intensa" rodada de aplausos após o anúncio.
Orhan Pamuk, 54, jornalista e advogado que nunca chegou a exercer a profissão, ganhou destaque internacional depois da publicação de romances como Meu nome é vermelho e O castelo branco, descritos como “fascinantes e labirínticos” na Feira Literária de Parati de 2005, da qual o escritor participou.
Naquele ano, Pamuk foi processado por declarar a um jornal suíço que a Turquia tem dificuldade de lidar com dois episódios recentes de sua história: o massacre de armênios durante a Primeira Guerra Mundial e a morte de milhares de curdos na região sudeste do país.
"Trinta mil curdos e um milhão de armênios foram mortos nessas áreas, e ninguém ousa falar do assunto", declarou Pamuk, em fevereiro de 2005. Ele foi levado à Corte em dezembro por "insultar a identidade turca".
O caso suscitou reações violentas de países da Europa Ocidental, que acusaram a Turquia de desrespeitar o direito de liberdade de expressão. O incidente poderia complicar a entrada da Turquia na União Européia, eles alertaram.
Em janeiro deste ano, as acusações contra o escritor foram abandonadas.
No ano passado, o vencedor do prêmio Nobel de Literatura também foi um escritor de polêmicas declarações políticas.
A premiação do teatrólogo britânico Harold Pinter, um feroz crítico da politica externa americana, suscitou acusações de que a fundação de Estocolmo estaria baseando suas escolhas em critérios não-literários.