11 de outubro, 2006 - 09h05 GMT (06h05 Brasília)
O segundo homem na hierarquia do poder na Coréia do Norte advertiu nesta quarta-feira que o país poderá realizar mais testes nucleares, dependendo da política dos Estados Unidos em relação aos norte-coreanos, segundo relatou a imprensa japonesa.
Kim Yong-nam disse que a decisão dependia de como os Estados Unidos tratassem a Coréia do Norte, segundo a agência de notícias japonesa Kyodo.
Segundo ele, a política americana também será o principal fator para determinar se o país retomará as negociações envolvendo seis países.
Os comentários foram os primeiros feitos por um alto membro do governo norte-coreano desde que o país anunciou pela primeira vez ter testado uma bomba nuclear, na segunda-feira.
“A questão dos futuros testes nucleares está ligada à política dos Estados Unidos em relação a nosso país”, disse Kim, segundo a Kyodo.
“Se os Estados Unidos continuarem a adotar uma atitude hostil e a aplicar pressão sobre nós de diversas formas, não teremos escolha a não ser tomar medidas físicas para lidar com isso.”
Advertência australiana
Os comentários foram feitos pouco após o ministro das Relações Exteriores da Austrália, Alexander Downer, ter advertido que novos testes podem ser iminentes.
“Temos preocupações muito verdadeiras de que eles podem realizar outro teste nuclear e que podem fazê-lo muito em breve”, disse ele.
Mas veracidade do teste declarado pela Coréia do Norte foi colocada em dúvida pela ministra da Defesa da França, Michele Alliot-Marie, que disse que a explosão foi muito pequena, indicando ou uma falha ou uma explosão não-nuclear.
“Dada a sua força fraca, é difícil dizer se foi uma explosão muito forte, mas do tipo tradicional, ou uma explosão nuclear... Se foi uma explosão nuclear, foi uma explosão falha”, disse ela. “Porém isso não torna a questão menos séria”, advertiu.
O Conselho de Segurança das Nações Unidas está debatendo um esboço de resolução para adotar sanções contra a Coréia do Norte propostas pelos Estados Unidos.