11 de outubro, 2006 - 18h12 GMT (15h12 Brasília)
O presidente americano, George W. Bush, afirmou nesta quarta-feira que a Coréia do Norte vai enfrentar "sérias repercussões" do teste nuclear que realizou.
Bush disse que Washington ainda está tentando confirmar se o teste foi mesmo realizado - conforme foi anunciado na segunda-feira por Pyongyang -, mas, ainda assim, prometeu aumentar a cooperação com aliados no sistema de defesa contra "agressões" norte-coreanas.
“Em resposta à provocação da Coréia do Norte, aumentaremos a cooperação militar com os nossos aliados, incluindo a cooperação de mísseis para proteger os aliados de agressões, além de ajudar a prevenir que a Coréia do Norte exporte tecnologias nuclear e de mísseis”, afirmou Bush.
O presidente americano, entretanto, salientou que os Estados Unidos não têm a intenção de atacar a Coréia do Norte e que os recursos diplomáticos ainda não haviam sido esgotados.
As declarações do presidente americano são feitas no mesmo dia em que a Coréia do Norte ameaçou realizar um segundo teste se os Estados Unidos permanecessem “hostis”.
O Conselho de Segurança da ONU está debatendo uma proposta americana que prevê a aplicação de uma série de sanções contra a Coréia do Norte.
Sanções japonesas
Ainda nesta quarta-feira, o Japão anunciou uma série de sanções unilaterais contra a Coréia do Norte em reação ao anúncio do teste.
As medidas do Japão incluem a suspensão de todas as importações norte-coreanas e a proibição da entrada de navios do país em águas japonesas, segundo disse o chefe de gabinete Yasuhisa Shiozaki.
O Japão também apóia a iniciativa americana de pressionar por um conjunto de medidas punitivas por parte da Organização das Nações Unidas.
A série de medidas anunciada por Shiozaki entra em vigor na sexta-feira, após uma reunião formal do gabinete.
As medidas devem praticamente impedir a entrada de norte-coreanos no Japão.
Novas sanções
Em julho, o governo japonês já tinha tomado uma série de medidas contra o regime de Pyongyang, depois da realização dos testes com mísseis.
Depois dos testes de mísseis feitos em julho, a ONU baixou uma resolução proibindo a venda de tecnologia ou materiais que possibilitem a fabricação de mísseis ou armas de destruição em massa.
Outras medidas punitivas estão sendo estudadas pela ONU, como por exemplo, a inspeção de cargas de navios em direção à Coréia do Norte e suspensão de venda de itens de luxo. No entanto, o Japão preferiu se adiantar e adotar medidas de modo unilateral.
O correspondente da BBC em Tóquio, Chris Hogg, afirma que a decisão de banir as importações norte-coreanas é a que deve ser mais sentida pelo país.
Produtos como mariscos e cogumelos proporcionam receitas importantes para a Coréia do Norte no mercado japonês.
O comércio entre dos dois países foi de cerca de US$ 180 milhões no ano passado (aproximadamente R$ 388 milhões), mas esse valor tem caído nos últimos anos, com a piora nas relações entre os dois governos.