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10 de outubro, 2006 - 03h46 GMT (00h46 Brasília)

Vaticano abre necrópole para visitação pública

Os visitantes do Vaticano em breve vão ter mais uma atração turística para visitar no pequeno Estado encravado em Roma, capital da Itália: uma das necrópoles mais bem-conservadas do mundo, onde foram enterradas pessoas ricas e de classe média na época do Império Romano.

O local foi encontrado há três anos, durante a construção de uma nova garagem para tentar acabar com o problema de falta de estacionamento no Vaticano.

"Nós encontramos o tipo de coisas que normalmente foram perdidas em escavações anteriores em Roma", disse Giadomenico Spinola, diretor dos trabalhos de escavação e restauração.

Foram encontradas desde simples urnas funerárias de terracota com cinzas em seu interior até sarcófagos esculpidos e enfeitados.

'Renascimento'

Juntamente com os mortos foram enterradas esculturas, pinturas e outros objetos, que, segundo arqueologistas, fazem do local uma "pequena Pompéia" de cemitérios.

Os visitantes da necrópole caminham em plataformas de aço sobre o local, o que os dá uma boa visão das ruínas, onde podem ser vistos também vários esqueletos.

Um deles é o de uma criança enterrada por familiares, que deixaram um ovo no caixão - cuja casca quebrada foi reconstruída por arqueólogos - que, de acordo com autoridades do Museu do Vaticano, pode representar a esperança de um renascimento.

Ao lado de mausoléus grandiosos, como um enfeitado com um mosaico em preto-e-branco de um Dionísio embriagado, podem ser vistas tumbas simples, de romanos de classe média.

Um deles era um "tabellarius" (entregador de cartas) e outro um "hortator" (treinador de cavalos de circo).

Estes locais "ajudam a documentar a classe média, que normalmente nos escapa", disse o arqueólogo Paolo Liverani. "Você não constrói a História apenas com generais e reis."