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10 de outubro, 2006 - 15h02 GMT (12h02 Brasília)

Saddam é expulso do tribunal pela 4ª vez

O ex-presidente iraquiano Saddam Hussein foi nesta terça-feira expulso do tribunal em que está sendo julgado pela quarta vez em menos de três semanas, depois de ter gritado um verso do Corão.

Saddam e outros seis réus são acusados de genocídio e crimes de guerra durante a operação Anfal, nos anos 80. Mais de 180 mil civis curdos teriam sido mortos.

O juiz Mohammed Oreibi al-Khalifa desligou o microfone de Saddam depois que o ex-ditador disse a frase "lutem contra eles e Deus os punirá" e, em seguida, ordenou que funcionários da corte o retirassem da sala.

Depois da expulsão de Saddam Hussein, os outros réus presentes no tribunal em Bagdá levantaram em protesto. Um deles, Hussein Rashid al-Tikriti, também foi expulso do tribunal e agrediu um dos guardas que o escoltavam.

O primo de Saddam Hussein Ali Hassan al-Majeed, também conhecido como "Ali Químico", também teve uma reação indignada.

"Quero minha sentença agora e espero que seja a pena de morte para que eu não tenha mais que vir a esta corte", disse ele ao juiz.

Os advogados de Saddam estão boicotando o julgamento desde que o novo juiz assumiu, no que eles consideram uma "interferência do governo iraquiano no julgamento".

Advogados designados pela corte estão trabalhando na defesa do ex-líder do Iraque.

Mulheres grávidas

Saiba mais sobre as acusações contra Saddam e a operação Anfal

Antes da breve interrupção do julgamento, que seguiu em sessão fechada, a corte havia ouvido o testemunho de uma mulher curda que falou, protegida por uma tela, sobre o tempo que passou presa durante o regime de Saddam Hussein.

"Um dia, homens vestindo uniformes especiais e máscaras vieram até nós. Eles nos borrifaram com uma substância e depois disso ficamos com piolhos e contraímos doenças como coqueluche", contou ela.

"Muitas crianças morreram. Eu passei seis meses e meio na prisão até ser libertada."

A testemunha também afirmou que mulheres grávidas eram tratadas de forma desumana nos campos.

Uma delas teria dado à luz em um banheiro e tido o cordão umbilical cortado, com a ajuda de outros prisioneiros, com pedaços de vidro.

Outra testemunha descreveu um estupro que testemunhou na prisão onde ela e sua família eram mantidos. A vítima teria sido uma jovem da cidade de Koi Sanjaq, atacada por um carcereiro.

“Ele a pegou e disse: ‘você é minha’. Ela cuspiu em seu rosto. Ele rasgou as roupas delas e a estuprou na frente de seus pais. Depois, atirou nela. Ela ficou viva por vários minutos e então morreu.”

Saddam já foi julgado pelo suposto envolvimento na morte, em 1982, de 148 muçulmanos xiitas na cidade iraquiana de Dujail. O veredicto e a sentença ainda não foram anunciados.