06 de outubro, 2006 - 18h38 GMT (15h38 Brasília)
O governo boliviano ordenou o envio de 700 policiais para a mina de Huanuni, onde confrontos entre mineradores iniciados na quinta-feira já deixaram 21 mortos.
Apenas nesta sexta-feira, dez pessoas foram mortas nos choques, que opõem mineiros sindicalizados, ligados ao Estado, a mineiros do setor que trabalham por conta própria, associados a uma cooperativa independente.
Os dois grupos brigam por direitos de acesso à mina, a principal jazida de estanho da Bolívia.
De acordo com a edição eletrônica do jornal boliviano La Razón, a decisão de enviar esforços foi tomada depois que a tentativa de uma comissão governamental de abrir negociações com os mineiros não funcionou.
"Entramos e saímos várias vezes de Huanuni e não há avanços. Nesta manhã nos demos conta de que era impossível um diálogo em Huanuni", disse o defensor público Waldo Albarracín ao site do La Razón.
O objetivo seria "restaurar a ordem", evitar mais confrontos e criar condições para um diálogo.
O comandanta da polícia, general Isaac Pimentel, disse que seus homens vão entrar em Huanuni, que fica em Oruro, a 288 km de La Paz, com o apoio da Cruz Vermelha, para socorrer feridos e "realizar ações de ajuda humanitária", informa o La Razón.
Os mineiros utilizaram armas e até dinamite nos enfrentamentos, considerados os piores já ocorridos no governo do presidente Evo Morales, que foi eleito em dezembro do ano passado com o apoio dos mineiros.
Maior acesso
Até pouco tempo atrás, a mina de Huanuni era administrada de forma conjunta entre a empresa RBG, de capital inglês, e o Estado boliviano.
No entanto, o governo recuperou o controle da mina, que é explorada pelos mineiros ligados ao Estado e pelo cooperativados.
Agora, os mineiros independentes querem que o governo lhes entregue as ações administradas pela empresa RBG para explorar a mina.
No mês passado, os mineiros que trabalham para o Estado bloquearam as principais estradas bolivianas em um protesto por mais empregos na mina de Huanuni.
O bloqueio foi encerrado depois de negociações com o governo boliviano.