30 de setembro, 2006 - 16h38 GMT (13h38 Brasília)
O presidente do Paquistão alertou o Ocidente sobre a possibilidade de ser levado “a ficar de joelhos” sem a cooperação de seu país na guerra contra o terror.
“Sem a nossa ajuda, vocês não terão o mínimo controle de nada”, disse o presidente Pervez Musharraf, em uma entrevista à BBC.
Ele disse que o Talibã, e não a Al-Qaeda, é que comanda a resistência na região.
“Há um grande perigo de que o Talibã se transforme em um movimento popular”, alertou Musharraf.
No início desta semana, o primeiro-ministro britânico, Tony Blair, assegurou a Musharraf que um documento secreto vazado para a imprensa não refletia a visão de seu governo sobre o Paquistão.
No documento, um comandante naval do Ministério da Defesa afirmava que o serviço secreto paquistanês (ISI) ajuda, indiretamente, tanto o Talibã, quanto a Al-Qaeda.
Atentado em Mumbai
Neste sábado, a polícia da Índia também acusou o ISI de ter ajudado a organizar o atentado em Mumbai, ocorrido em julho deste ano, que deixou um saldo de 186 mortos.
Segundo as autoridades indianas, o atentado teria sido cometido pela organização islâmica Lashkar-e-Toiba, que tem base no Paquistão.
O governo paquistanês nega as acusações.
“Ainda estamos estudando o comunicado da Índia. Não é preciso dizer que não há nenhuma prova para as acusações. É só mais uma tentativa da Índia de difamar o Paquistão”, afirmou Tariq Azim Khan, ministro da informação paquistanês.
Afeganistão
O presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, encontrou o general Musharraf em Washington e disse ter recebido confirmações de que o Paquistão se comprometeu a coibir tentativas de militantes de entrar em território afegão.
Karzai celebrou um acordo com Musharraf onde os dois países vão tentar convencer líderes tribais que vivem na fronteira a entrarem na luta contra o Talibã.