Um grupo rebelde que luta pela independência do Curdistão declarou um cessar-fogo neste sábado, na batalha que trava contra o governo turco.
O PKK (sigla que significa Partido dos Trabalhadores do Curdistão) anunciou que uma trégua deve começar neste domingo e que seus militantes não usarão suas armas, a menos que sejam atacados.
O anúncio foi feito por um líder do PKK, Murat Karayilan, de uma base do grupo no norte do Iraque.
O conflito dos rebeldes curdos contra a Turquia já dura 22 anos e, segundo estimativa, matou mais de 30 mil pessoas desde então.
Negociação de paz
Karayilan disse esperar que a decisão de chamar unilateralmente um cessar-fogo leve a um novo diálogo com as autoridades turcas.
O correspondente da BBC em Bagdá, Jim Muir, disse que em outras oportunidades, a Turquia ignorou o cessar-fogo do PKK, que acabou fracassando.
Mas desta vez, segundo Muir, o governo turco está sob pressão para chegar a um acordo de paz com os curdos, por causa de sua iminente e desejada entrada na União Européia.
Pedido de Ocalan
A declaração do cessar-fogo veio depois que o líder do PKK, Abdullah Ocalan, pediu que sua organização chegue a um acordo de paz com a Turquia.
O governo turco tinha dito anteriormente que perseguiria o PKK até que todos os seus membros fossem eliminados ou então, se rendessem.
Na sexta-feira, o premiê turco, Recep Tayyip Erdogan, tinha rejeitado o pedido de Ocalan.
Segundo Erdogan, uma trégua só é possível entre países, e o PKK, é uma “organização terrorista”.
Uma série de atentados à bomba atingiu a Turquia no mês passado, com alguns deles sendo atribuídos aos Falcões da Liberdade do Curdistão (TAK), uma facção do PKK.
Como a violência tem aumentado nas últimas semanas, a Turquia tem ameaçado de invadir o norte do Iraque, onde o grupo tem as suas bases, conforme a correspondente da BBC em Istambul, Sarah Rainsford.