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27 de setembro, 2006 - 17h23 GMT (14h23 Brasília)

Haia condena líder servo-bósnio a 27 anos de prisão

O líder servo-bósnio acusado de ser um dos arquitetos da limpeza étnica na guerra da Bósnia (1992-1995) foi condenado nesta quarta-feira a 27 anos de prisão pelo Tribunal Internacional de Haia, na Holanda.

Momcilo Krajisnik foi condenado em sete acusações, incluindo criação de campos de detenção, incitação à limpeza étnica e responsabilidade parcial na morte de milhares de pessoas.

Contudo, ele foi absolvido da acusação mais grave, que era a de genocídio. A corte decidiu inocentá-lo por considerar que não havia provas suficientes para provar as suas intenções de eliminar comunidades não-sérvias.

Krajisnik era o porta-voz do Parlamento Separatista Bósnio e braço-direito de Radovan Karadzic, um dos líderes militares sérvios mais importantes, que ainda está foragido.

Condenado mais importante

De acordo com o analista da BBC Gabriel Partos, Krajisnik, de 61 anos, é a autoridade mais importante entre as ex-repúblicas iugoslavas a ser condenada pelo Tribunal de Haia.

Alphons Orie, juiz encarregado do caso, disse que Momcilo Krajisnik participou de um esquema criminoso que exterminou, assassinou, perseguiu e deportou não-sérvios durante a guerra da Bósnia.

Orie disse que o posto de Krajisnik na comissão de crimes era crucial para o funcionamento do esquema.

“Sua influência junto à liderança servo-bósnia lhe deu autoridade para facilitar que grupos militares, paramilitares e policiais executassem seus planos.

“Krajisnik aceitou o fato de que um grande preço em sofrimento, morte e destruição eram necessários para atingir a dominação sérvia”, afirmou o magistrado.

A absolvição do servo-bósnio deve desapontar a comunidade muçulmana da Bósnia, que se vê como uma vítima de uma tentativa de genocídio durante o conflito.

“Sr. Não”

Momcilo Krajisnik é acusado de ter sido o principal mentor de alguns dos episódios mais violentos da guerra da Bósnia, onde cerca de 110 mil pessoas foram mortas, em ataques a vilarejos e em extermínios realizados em campos de detenção.

Ele ganhou o apelido de “Sr. Não” pela sua intransigência e falta de compromisso durante as negociações de paz para encerrar o conflito.

Durante a liderança de Karadzic e Krajisnik, forças sérvias sitiaram a cidade de Sarajevo e expeliram em massa as populações não-sérvias dos territórios controlados pelos sérvios.

Sob o comando deles, paramilitares sérvios realizaram o pior massacre étnico desde a 2ª. Guerra Mundial, conhecido como o “Massacre de Srebrenica”, onde mais de 8 mil homens e crianças foram mortos tentando deixar a área, que tinha sido designada pela ONU (Organização das Nações Unidas) como “área segura”.

Acusações de apropriação indébita e enriquecimento ilícito também pesam sobre Krajisnik, que teria enriquecido durante o conflito.

Pós-guerra

Depois da guerra, ele foi o representante sérvio na junta tríplice da Presidência da Bósnia, juntamente com um croata e um muçulmano, mas analistas o acusam de ter usado sua influência para atrapalhar a reintegração entre os diferentes grupos étnicos e religiosos do país.

Seu poder no pós-guerra vinha principalmente de seu controle sobre a polícia e autoridades locais, até que, em 1998, perdeu a reeleição para o moderado sérvio Zivko Radsic.

Seus assessores próximos o descrevem como um homem devoto, que considera a separação por religião e raça como sendo natural.

Mas Amor Masovic, chefe da Comissão Muçulmana de Desaparecidos da Bósnia, diz que Krajisnik é “um dos artífices da limpeza étnica” no país.