23 de setembro, 2006 - 04h56 GMT (01h56 Brasília)
A secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, acusou o Sudão de fracassar na sua responsabilidade de proteger seus próprios cidadãos na região de Darfur.
Em um encontro paralelo de ministros de Relações Exteriores do Conselho de Segurança e de dez outros países, ocorrido durante a Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) em Nova York, Rice afirmou que o tempo estava correndo e que, caso o Sudão continue rejeitando a presença de forças de paz da ONU na região, "outras medidas" poderiam ser tomadas.
Os participantes do encontro concordaram em aumentar a pressão para que o governo do Sudão aceite a presença de uma força de paz da ONU até janeiro, quando a atual força da União Africana deve deixar a região.
A secretária de Estado americana, porém, não excluiu outras alternativas.
"Ninguém pretende acalmar o governo do Sudão. Nós pretendemos agir", disse. "Há medidas à disposição da comunidade internacional caso não consigamos chegar a um acordo com o Sudão."
O governo do Sudão se opõe ao deslocamento das forças de paz da ONU para Darfur, argumentando que a presença dessas tropas esconderia uma intenção oculta de enfraquecer o país.
"A violência em Darfur não está diminuindo, está ficando pior", disse Rice.
"Se quisermos que nossa responsabilidade de proteger os mais fracos seja mais do que uma promessa vazia, então temos de agir para salvar vidas."
"Genocídio"
O governo americano descreveu a crise em Darfur - região no oeste do Sudão na qual 200 mil pessoas já morreram e mais de 2 milhões tiveram de abandonar as suas casas devido a conflitos - como genocídio.
No início da semana, o presidente americano, George W. Bush, nomeou um enviado que terá a missão de pressionar Cartum a aceitar a presença de uma força de paz da ONU no país.
Atualmente, há uma força de 7 mil soldados da União Africana na região que, segundo corresponentes, sofre com a falta de equipamentos e recursos.
Nesta semana, a União Africana prolongou por três meses a presença dessa força na região, que inicialmente tinha um mandato até setembro.
Antes do pronunciamento de Rice, durante a Assembléia Geral da ONU, a ministra Relações Exteriores da Grã-Bretanha, Margaret Beckett, disse que esses três meses adicionais representam apenas uma prorrogação temporária.
Beckett afirmou que era necessária uma ação imediata tanto no campo político como no humanitário. Grupos de ajuda humanitária, disse Beckett, encontram crescente dificuldade para distribuir ajuda na região.
A ministra britânica também pediu o apoio de países africanos e asiáticos, especialmente das nações muçulmanas.