22 de setembro, 2006 - 11h46 GMT (08h46 Brasília)
O ex-chefe do serviço de inteligência do Peru Vladimiro Montesinos foi condenado na quinta-feira a 20 anos de prisão pelo seu envolvimento em uma venda ilegal de armas para a guerrilha colombiana.
O grupo guerrilheiro esquerdista Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) recebeu 10 mil fuzis após a negociação, há sete anos.
Montesinos, de 61 anos, que chefiou a inteligência peruana no governo de Alberto Fujimori (1990-2000), já está cumprindo outras penas de prisão por corrupção e por planejar um golpe.
Outros acusados de participação na venda de armas às Farc, entre eles um financista francês e dois irmãos peruanos, foram condenados a 15 anos de prisão.
Um traficante de armas libanês, Sarkis Soghanalian, conhecido como “o mercador da morte”, foi condenado à revelia.
A Justiça peruana também condenou Montesinos e alguns dos outros acusados a pagar uma multa equivalente a US$ 3,1 milhões. O dinheiro deve ser dividido entre os governos peruano e colombiano.
Durante o julgamento, Montesinos havia negado responsabilidade sobre a venda de armas e afirmou que havia, na realidade, ajudado a revelar o caso.
Esquadrões da morte
Montesinos ainda enfrenta diversas outras acusações, incluindo o suposto envolvimento na criação de esquadrões da morte durante seu período à frente da inteligência peruana.
A condenação desta quinta-feira deve adicionar somente cinco anos ao período de Montesinos na prisão, já que ele já cumpre uma pena de 15 anos.
Montesinos é considerado no Peru como o homem-forte dos dez anos de governo de Fujimori.
O ex-presidente, refugiado no exterior desde sua destituição da Presidência, em 2000, está no Chile, onde aguarda a decisão da Justiça local sobre um pedido de extradição ao Peru, onde enfrenta acusações de corrupção e de violações aos direitos humanos.