21 de setembro, 2006 - 19h38 GMT (16h38 Brasília)
O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, afirmou nesta quarta-feira em uma coletiva na ONU, em Nova York, que não é um anti-semita.
"Judeus são respeitados por todos, por todos os seres humanos", disse Ahmadinejad.
"Algumas pessoas acham que, se me acusarem de ser antijudeu, o problema será resolvido. Não, não sou antijudeu. Eu os respeito muito. Temos que nos lembrar que na Palestina existem muçulmanos, cristãos e judeus que vivem juntos."
Em outubro passado, o presidente iraniano disse que Israel deveria ser eliminado do mapa. Depois, em dezembro, Ahmadinejad descreveu o Holocausto como um mito.
Garantias
Os comentários desta quinta-feira de Mahmoud Ahmadinejad ocorreram durante suas observações a respeito do conflito entre israelenses e palestinos.
Na mesma coletiva, em resposta a questões a respeito do polêmico programa nuclear iraniano, o presidente afirmou que os iranianos "não precisam de uma bomba".
Ele disse que estava "perdido" tentando entender quais outras garantias o Irã precisa fornecer para provar que seu programa nuclear é, como o país vem afirmando, totalmente para fins civis.
O Irã não cumpriu um prazo da ONU para suspender o enriquecimento de urânio, mas Ahmadinejad disse que as negociações com a União Européia a respeito da questão estão "no caminho certo".
"Temos esperanças de que outros não vão interromper o trabalho", disse.
Ahmadinejad afirmou que o Irã quer negociar a suspensão do enriquecimento de urânio "sob condições justas", mas não forneceu um cronograma.
O presidente iraniano também questionou os Estados Unidos, perguntando o que o país tinha feito para destruir seu próprio arsenal nuclear e acusando o governo americano de desenvolver novas armas nucleares.
Sistema político
Em seus comentários, o presidente iraniano também criticou o sistema político internacional.
Ahmadinejad disse que o atual sistema emana de "um grupo de vencedores que surgiram de uma Guerra Mundial e que está governando o mundo".
Em um discurso à Assembléia Geral da ONU nesta quarta-feira, o presidente do Irã acusou os Estados Unidos e a Grã-Bretanha de usarem a ONU para seus interesses.
Ele acusou os dois países de serem promotores, juízes e júri para resolver seus problemas com outros países.