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17 de setembro, 2006 - 11h17 GMT (08h17 Brasília)

Em discurso, papa lamenta citação que ofendeu islâmicos

O papa Bento 16 disse pessoalmente neste domingo que "lamenta profundamente" ter feito referências ao Islã e à guerra santa de um texto do século 14 que ofenderam a comunidade muçulmana.

Em sua benção dominical, o pontífice máximo da igreja católica ressaltou que as opiniões que ele citou na semana passada em seu discurso na universidade de Regensburg, na Alemanha, foram escritas há seis séculos e não refletem de maneira alguma o ponto de vista dele.

"Eu espero que isso sirva para acalmar os corações e esclarecer o verdadeiro significado do meu discurso, que era e é em sua totalidade um convite para um diálogo sincero e franco, com respeito mútuo", disse o religioso.

Por causa da tensão provocada pelo pronunciamento, a polícia italiana reforçou a segurança ao redor da residência do papa, o Castelo Gandolfo, nos arredores de Roma.

Foram realizadas revistas detalhadas da pessoas que estavam na área próxima ao castelo, e atiradores de elite foram posicionados no alto de um prédio, enquanto policiais disfarçados de turistas filmavam a multidão de fiéis.

Em nota divulgada pelo Vaticano no sábado, o líder católico já havia "lamentado profundamente que trechos (do discurso) possam ter soado ofensivos à sensibilidade dos fiéis muçulmanos".

Primeira aparição

No entanto, entre os críticos ofendidos pela citação do texto de 1391 havia quem exigisse um pedido pessoal do papa.

A aparição pública deste domingo foi a primeira do papa desde o início da polêmica sobre o discurso, que envolveu religiosos de todo mundo e até governos de países islâmicos

No sábado, o Vaticano divulgou uma nota assinada pelo novo secretário de Estado do Vaticano, o cardeal Tarcisio Bertone, na qual o papa lamenta também que as palavras dele "tenham sido interpretadas de uma forma que de modo algum correspondem às suas intenções".

O texto de Bertone diz ainda que o pontífice máximo da igreja católica respeita os fiéis muçulmanos, que "adoram o Deus único", e espera que os islâmicos "sejam ajudados a entendar o significado correto das suas palavras" e que isso leve a superar o "atual momento difícil" e a um "reforço do testemunho de Deus, Criador do Céu e da Terra".

"Para defenderem e promoverem juntos para todos os homens, a justiça social e os valores morais, a paz e a liberdade", conclui a nota.