17 de setembro, 2006 - 03h27 GMT (00h27 Brasília)
A segurança foi reforçada na capital italiana, Roma, em antecipação, neste domingo, à primeira aparição pública do papa Bento 16 desde que fez comentários considerados ofensivos por muitos muçulmanos.
O papa será observado com muita atenção durante a bênção tradicional de domingo.
Em discurso na terça-feira, Bento 16 citou um imperador cristão do século 14 que disse que o Profeta Maomé trouxe ao mundo apenas coisas "más e desumanas".
O Vaticano divulgou no sábado uma nota afirmando que o papa Bento 16 "lamenta profundamente" que trechos de um dos seu pronunciamento na semana passada "possam ter soado ofensivos à sensibilidade dos fiéis muçulmanos".
A polícia promete revistas meticulosas em uma vasta área em torno da bênção de domingo na residência do papa em Castel Gandolfo, perto da capital, mas disse que será discreta para não perturbar as orações.
O correspondente da BBC em Roma, Christian Fraser, disse que o papa estará sob intensa pressão diplomática e sabe que o mundo espera um comentário sobre os eventos da semana passada.
Mas nosso correspondente afirma que é pouco provável que ele vá mais longe do que o pedido de desculpas feito no sábado.
Reações
O incidente levou o Marrocos a retirar seu embaixador do Vaticano, qualificando o comentário do papa de "ofensivo".
O partido Irmandade Muçulmana do Egito disse que o pedido de desculpas não foi suficiente e pediu ao pontífice que expresse esse sentimento pessoalmente.
"O secretário de Estado do Vaticano disse que o papa lamenta que suas declarações tenham sido mal interpretadas, mas não há má interpretação", disse Abdel Moneim Abul Futuh, integrante da cúpula do partido à agência de notícias Associated Press.
Uma declaração em um website supostamente emitida pelo grupo insurgente iraquiano Exército Mujahideen, ameaçou realizar um ataque contra o Vaticano. A declaração não tem confirmação independente.
Fraser disse que a crise não poderia ter vindo em um momento mais delicado para o papa.
Ele tem viagem marcada para a Turquia, de população majoritariamente muçulmana, em novembro. O primeiro-ministro da Turquia, Tayyip Erdogan, disse que os comentários do papa foram "feios e infelizes" e, quando perguntado se a visita ocorrerá, disse: "Eu não saberia dizer."
O presidente do Paquistão, Pervez Musharraf, disse que os esforços para vincular o islamismo ao terrorismo deveriam ter uma oposição clara.
Foram realizados protestos no Paquistão, Índia, Turquia e na Faixa de Gaza.
Na cidade de Nablus, na Cisjordânia, foram lançadas bombas incendiárias em duas igrejas no sábado, em ataques reivindicados por um grupo que disse estar protestando contra as declarações do papa.