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16 de setembro, 2006 - 18h49 GMT (15h49 Brasília)

Nota da Santa Sé não evita novas críticas ao papa

A nota oficial do Vaticano lamentando que o discurso do papa Bento 16 tenha ofendido a comunidade muçulmana não foi suficiente para acabar com a onda de críticas que o líder católico vem enfrentando.

O grupo de oposição egípcio Irmandade Muçulmana considerou o comunicado do Vaticano "insuficiente" e continua exigindo um pedido de desculpas pessoal do papa.

No Marrocos, o governo decidiu chamar repatriar o seu embaixador para o Vaticano.

Na Faixa de Gaza, a citação do papa de um imperador cristão do século 14, durante um discurso na Alemanha, levou a ataques contra cinco igrejas.

No entanto, apenas um dos templos atingidos por coquetéis molotov era católica. Um grupo ativista assumiu a autoria dos ataques e afirmou que eles foram motivados pelo discurso do papa.

Veja fotos dos protestos de muçulmanos pelo mundo.

Falando sobre o assunto em Cuba – onde participa do Fórum dos Não-Alinhados –o presidente do Paquistão, Pervez Musharraf, se disse contra o que chamou de "tendências sinistras".

"Nossa estratégia tem de, claramente, nos opôr às tendências sinistras de associar o terrorismo com o Islã e à discriminação contra muçulmanos, que está incentivando uma alienação entre o mundo ocidental e o mundo do Islã", disse Musharraf.

Também em Cuba, o primeiro-ministro da Malásia, Abdullah Ahmad Badawi disse que o papa não deveria subestimar a sensação de revolta que a citação gerou.

"O Vaticano deve, agora, assumir responsabilidade pelo assunto e adotar as medidas necessárias para retificar o erro", disse.

Defesa

Por outro lado, na Grã-Bretanha, algumas organizações islâmicas elogiaram a iniciativa papal, classificando-a de "bom primeiro passo" e "gesto nobre".

Em meio às críticas, a primeira-ministra da Alemanha, Angela Merkel, também saiu em defesa do papa.

Merkel disse que os críticos "entenderam mal" o objetivo do discurso do papa, que teria sido "fazer um apelo para o diálogo entre as religiões".

"O que Bento 16 enfatizou foi uma renúncia firme e inflexível de todas as formas de violência em nome da religião", afirmou Merkel.