15 de setembro, 2006 - 11h51 GMT (08h51 Brasília)
Israel admitiu nesta sexta-feira que o bombardeio aéreo que atingiu um posto da Organização das Nações Unidas (ONU) no Líbano, em julho, matando quatro observadores internacionais, foi o resultado de um "erro trágico".
Um inquérito oficial israelense concluiu que o posto foi erradamente tomado como alvo, durante o conflito com a milícia xiita Hezbollah, devido a falhas nos mapas militares.
A ONU afirmou que já havia entrado em contato com Israel diversas vezes, pedindo que aviões militares parassem de bombardear a área, antes do ataque que matou observadores da China, Áustria, Finlândia e Canadá.
Logo após o incidente, o secretário-geral da ONU, Kofi Annan, descreveu a operação - que teria sido feita com mísseis de alta precisão - como "aparentemente deliberada", enquanto o primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert "lamentou profundamente" as mortes.
Relação delicada
A investigação israelense descobriu que houve um engano na duplicação de mapas durante o envio de novas tropas à região, segundo o porta-voz do Ministério do Exterior de Israel Mark Regev.
"Nesse processo, infelizmente, o posto da ONU não foi posicionado corretamente. Quando nosso jato lançou o míssil, acreditávamos estar atacando o Hezbollah", disse Regev.
Em declaração à BBC, ele descreveu o incidente como "um erro trágico, um engano".
O resultado do inquérito israelense foi enviado para cada um dos quatro países de onde os observadores da ONU vieram, segundo o porta-voz.
O relatório das Nações Unidas sobre o ataque ao posto ainda não foi concluído, mas de acordo com a correspondente da BBC em Jerusalém Jill McGivering, interpretações conflitantes sobre o episódio poderiam causar tensão na relação delicada entre Israel e ONU.
Ambos participam de negociações sobre a transição para a paz no sul do Líbano, além de conversas sobre a relação com um novo governo de unidade nacional palestino.