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14 de setembro, 2006 - 16h09 GMT (13h09 Brasília)

Relatório sobre Irã é 'desonesto', diz AIEA

A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) deu a conhecer nesta quinta-feira o conteúdo de uma carta em que classifica de "ultrajante" e "desonesto" um relatório do Congresso americano sobre a questão nuclear iraniana.

É o mais firme posicionamento da AIEA contra uma alegação americana.

O relatório foi elaborado por parlamentares considerados "linha dura" no Comitê de Inteligência da Câmara e publicado no dia 23 de agosto.

O documento apresenta o Irã como "uma séria ameaça à segurança", e sugere que os Estados Unidos melhorem seus serviços de espionagem no país.

De acordo com os parlamentares, o governo iraniano poderia obter uma arma nuclear dentro de uma década.

A AIEA, que é subordinada à Organização das Nações Unidas (ONU), enviou ao presidente da Comissão, Peter Hoekstra, deputado pelo Partido Republicano do Michigan, uma carta apontando informações "erradas e enganosas", que exagerariam a capacidade nuclear do Irã.

Segundo a AIEA, não há evidências de atividades de enriquecimento de urânio em escala suficiente para fabricar bombas no Irã.

Disputas

Não é a primeira vez que afluem tensões entre a AIEA e os Estados Unidos.

Antes da guerra contra o Iraque, o órgão questionou as garantias americanas de que o regime de Saddam Hussein possuía armas de destruição em massa.

Os armamentos nunca foram encontrados.

Em sua carta, a AIEA também desmentiu a sugestão, incluída no relatório, de que havia afastado um de seus inspetores, Chris Charlier, para evitar que seus funcionários "dissessem toda a verdade" sobre a questão iraniana.

O mesmo comitê da Câmara está preparando um relatório sobre a Coréia do Norte.

Sanções

No dia 31 de agosto, o Irã ignorou uma resolução do Conselho de Segurança da ONU para suspender seu programa de enriquecimento de urânio. Agora, o país está suscetível a sanções - algo que os Estados Unidos defendem.

O presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, declarou nesta quinta-feira que não acredita em sanções contra seu país.

"Não creio que haverá sanções, porque não há motivos", declarou Ahmadinejad, durante uma visita a Dacar, capital do Senegal.

"Seria preferível que as autoridades americanas não falassem quando estão com raiva."

O presidente iraniano declarou que é "partidário do diálogo e da negociação", e que acredita poder "resolver os problemas juntos, em um contexto de diálogo e justiça".

O governo iraniano diz que as instalações nucleares existentes no país são para fins pacíficos.