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13 de setembro, 2006 - 10h57 GMT (07h57 Brasília)

Promotor acusa juiz de favorecer Saddam Hussein

O chefe da promotoria no julgamento do ex-presidente do Iraque Saddam Hussein por genocídio pediu ao juiz do caso que deixe o posto, afirmando que ele favorece o ex-líder.

Munqith al-Faroon queixou-se na abertura dos trabalhos no tribunal em Bagdá nesta quarta-feira que os réus foram "longe demais", ameaçando testemunhas e fazendo declarações políticas.

"Os réus foram longe demais, com expressões e palavras inaceitáveis. Os réus fizeram ameaças claras", afirmou al-Faroon.

O juiz Abdullah al-Amiri rejeitou o pedido, dizendo que sua abordagem do caso é baseada na impacialidade e em 25 anos de experiência.

Saddam Hussein e seis outros ex-integrantes do governo estão sendo julgados por crimes de guerra contra os curdos durante a chamada operação Anfal, em 1987 e 1988.

Descrições

Na audiência da terça-feira, Saddam Hussein ameaçou um dos advogados de testemunhas, acusando-o de ser um agente de "iranianos e sionistas", acrescentando "nós vamos esmagar a cabeça dele".

Na segunda-feira, quando o julgamento foi reiniciado depois de um intervalo de três semanas, o ex-presidente iraquiano prometeu "caçar (al-Faroon) pelo resto da vida" se as alegações de que mulheres iraquianas foram estupradas durante seu regime se mostrar falsa.

Testemunhas deram descrições minuciosas do bombardeio e prisão de curdos por forças iraquianas.

Os réus são acusados da morte de até 180 mil civis no final da década de 80.