11 de setembro, 2006 - 19h26 GMT (16h26 Brasília)
A polícia chilena prendeu pelo menos 30 pessoas envolvidas em choques ocorridos durante as cerimônias que lembravam os 33 anos do golpe militar que depôs o presidente Salvador Allende.
As prisões foram feitas durante a madrugada desta segunda-feira em diversos pontos de Santiago, a capital do Chile.
Um dos confrontos ocorreu durante uma passeata organizada por entidades de direitos humanos rumo ao cemitério de Santiago, onde estão enterradas vítimas do regime militar.
Estima-se que mais de 3 mil pessoas tenham sido mortas por motivos políticos durante o governo militar (1973-90), de acordo com o inquérito oficial chileno.
Segundo a polícia, parte dos manifestantes teria montado barricadas nas ruas e atacado os policiais com bombas incendiárias e pedras.
Forças Especiais teriam, então, sido enviadas para desbloquear o trânsito e conter o vandalismo.
"Pulso firme"
O porta-voz do governo, Ricardo Lagos Weber, disse que os distúrbios "não têm explicação nem sentido", de acordo com informações da agência de notícias Efe.
"Está claro que a única coisa a fazer nessas situações é ter pulso firme", afirmou Lagos Weber, segundo a Efe.
O golpe de 11 de setembro de 1973 instarou no poder o general Augusto Pinochet, que governou o Chile até 1990.
Ainda nesta segunda-feira, uma cerimônia religiosa no palácio presidencial La Moneda lembra as pessoas que morreram no dia do golpe.
O Partido Socialista, ao qual pertence a presidente Michelle Bachelet, prestará homenagem a Salvador Allende.
Eleita em janeiro, a atual presidente do Chile teve o pai, um general da Força Aérea, morto em decorrência da tortura sofrida durante o governo Pinochet. A própria Bachelet chegou a ser interrogada e torturada antes de partir para o exílio.
A Suprema Corte do Chile decidiu em agosto que Pinochet - que é acusado de crimes, mas tem imunidade parlamentar - pode ser processado por malversação de dinheiro público.