Empresas, lojas, escolas e sistemas públicos de transporte não funcionaram nesta sexta-feira em grande parte dos Departamentos (Estados) tidos como os mais ricos da Bolívia, devido a uma greve organizada pela oposição ao governo do presidente Evo Morales.
As ruas estavam praticamente vazias, principalmente na cidade de Santa Cruz de la Sierra, e algumas das principais estradas foram bloqueadas.
De acordo com a agência de notícias Associated Press, houve confrontos entre grevistas e simpatizantes de Morales nas ruas das cidades de Santa Cruz e Tarija.
Líderes de oposição da Bolívia disseram ter recebido grande apoio durante a greve nos Departamentos de Santa Cruz de la Sierra, Tarija, Beni e Pando.
O governo do país, no entanto, nega que a paralisação tenha recebido respaldo popular.
Constituinte
Os protestos - organizados em parte pelo partido político de oposição Podemos - são contra as regras de votação da assembléia constituinte, instaurada no mês passado, que exige maioria absoluta (50% mais um dos votos) para aprovação de mudanças.
Segundo a oposição, com essas regras, o Movimento ao Socialismo (MAS), partido do governo do presidente Evo Morales, teria poderes para redigir como pretende uma carta magna "originária" - soberana aos três Poderes.
O chefe da Casa Civil, Juan Ramon Quintana, afirmou que a greve desta sexta-feira não teve apoio popular.
"Nós tivemos em quatro cidades - Santa Cruz, Tarija, Cobija e Trinidad - paralisações parciais, que não são apoiadas pelos cidadãos", disse Quintana.
"Os governos locais e as câmaras municipais mobilizaram veículos para bloquear as principais estradas nessas cidades. Porém, as pessoas estão se deslocando de forma relativamente normal."
Na noite de quinta-feira, poucas horas antes do início dos protestos, o presidente Evo Morales criticou a greve em pronunciamento na televisão.
"A greve não é importante. (...) Mas como eu me sinto quando as pessoas falam em fazer greve? Eu sinto que há ódio e desrespeito pelo movimento indígena", afirmou Morales.
O protesto dos quatro departamentos ocorre sete meses depois da posse de Evo Morales e uma semana após a realização de diferentes manifestações sociais no país.