07 de setembro, 2006 - 20h13 GMT (17h13 Brasília)
O Comitê Internacional da Cruz Vermelha afirmou nesta quinta-feira que pretende enviar representantes para visitar 14 presos que os Estados Unidos anunciaram que irão ser transferidos de prisões secretas que a CIA (Central de Inteligência Americana) mantém fora do território americano para a prisão de Guantánamo, em Cuba.
A expectativa é que os enviados da Cruz Vermelha realizem as visitas na semana que vem.
Segundo a Cruz Vermelha, todas as condições exigidas pela organização para este tipo de visita serão aplicadas. Isto significa que os representantes da organização poderão conversar a sós com os detidos.
O presidente George W. Bush anunciou na quarta-feira a transferência dos presos - alguns deles acusados pelos Estados Unidos de ter participado dos atentados de 11 de setembro de 2001 contra o World Trade Center de Nova York e contra o Pentágono, em Washington.
A Cruz Vermelha é a única organização que tem permissão para visitar os detidos de Guantánamo e conversar em particular com cada um deles.
Questões
A Cruz Vermelha nunca concordou com a visão do Departamento de Estado americano de que a detenção em lugares secretos é legal à luz das leis internacionais se um suspeito é uma ameaça à segurança nacional.
A Cruz Vermelha e a Comissão Internacional de Juristas - uma organização dedicada ao apoio à lei internacional - sempre insistiram que os suspeitos de terrorismo não deviam ser mantidos presos por tempo indefinido.
Para as duas organizações, os suspeitos deveriam ser acusados publicamente e levados a um tribunal.
Outro anúncio de Bush - de que os 14 prisioneiros serão julgados - também foi aprovado pelas duas organizações.
Mas especialistas em lei internacional afirmam que muitas questões ainda não foram respondidas - ainda faltaria esclarecer onde os 14 suspeitos ficaram detidos, quais são exatamente os seus crimes e quantos ainda estão sendo detidos em prisões secretas.
Também é questionada a proposta americana de criação de comissões militares para julgar os suspeitos.
O plano para estas comissões está atualmente sendo analisado pelo Congresso americano.
Críticas
A admissão do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, de que a CIA (agência secreta americana) mantém prisões secretas fora do país foi recebida com críticas por políticos de oposição a Bush, em países europeus - alguns dos quais serviriam de base para os centros clandestinos - e organizações de direitos humanos.
Membros do Parlamento Europeu fizeram apelos para que os seus respectivos governos abram o jogo sobre as supostas prisões secretas mantidas pela CIA, a agência secreta americana, em seus territórios.
A existência dessas instalações foi admitida publicamente por Bush pela primeira vez na quarta-feira.
O Parlamento Europeu havia montado uma espécie de CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para apurar as denúncias, que surgiram no ano passado, e uma das deputadas à frente da investigação disse que as declarações de Bush faziam os governos europeus - que haviam negado a existência de tais instalações - parecerem ridículos.
No seu relatório preliminar, a "CPI européia" já havia concluído ser "altamente implausível" que os governos europeus não soubessem das atividades da CIA em seus territórios.
Até quarta-feira, o governo americano havia admitido prender suspeitos de terrorismo em países europeus, mas negava a existência dos centros de detenção clandestinos.