05 de setembro, 2006 - 03h30 GMT (00h30 Brasília)
O governo interino da Somália e a União das Cortes Islâmicas, uma aliança islâmica rival que controla a capital, Mogadício, e a maior parte do sul do país, concordaram em formar um exército nacional.
O trato é parte de um acordo maior, fechado depois de três dias de negociações mediadas pela Liga Árabe na capital do Sudão, Cartum.
Pelo acordo fechado na segunda-feira, as partes concordaram em "construir forças armadas como um exército e uma força policial" incorporando milícias leais às cortes islâmicas, ao governo e a outros.
Os rivais também concordaram em rejeitar qualquer interferência estrangeira no país e reafirmaram a trégua anterior, firmada em junho e ameaçada pelas recentes conquistas de território por parte dos islâmicos.
Divisão de poder
Detalhes sobre a formação da nova força devem ser definidos depois que os dois lados tiverem resolvido diferenças políticas fundamentais.
As negociações sobre a divisão de poder e questões de segurança serão retomadas em 30 de outubro, quando as duas partes se encontrarão novamente.
Outras questões difíceis deverão ser o papel da vizinha Etiópia e a necessidade ou não de uma força internacional de paz na Somália.
Os islâmicos acusam o governo de reforçar suas defesas com tropas da Etiópia. No entanto, eles mesmos são acusados de usar apoio militar da Eritréia
A Somália não tem um governo central efetivo desde 1991.
O governo interino, baseado na cidade de Baidoa, tem o apoio da Organização das Nações Unidas (ONU) e dos Estados Unidos, mas suas forças falharam em controlar o rápido crescimento da União das Cortes Islâmicas.
Em junho, essa milícia assumiu o controle de Mogadício e de outras regiões no sul e no centro do país.
O encontro em Cartum é o primeiro entre as duas partes desde então.
A situação na Somália causa preocupação em países vizinhos como a Etiópia e também nos Estados Unidos, que alegam que a Somália estaria se tornando um local propenso a abrigar "células terroristas" da Al-Qaeda.