05 de setembro, 2006 - 14h00 GMT (11h00 Brasília)
Uma bomba, supostamente acionada por controle remoto, deixou um investigador seriamente ferido e matou quatro de seus auxiliares e guarda-costas, no sul do Líbano, nesta terça-feira.
Os dois veículos que faziam parte do comboio do coronel Samir Shehadeh foram atingidos pela explosão.
Shehadeh foi um dos investigadores da morte do ex-primeiro-ministro do Líbano Hafik Hariri, em 2005; seu trabalho teria colaborado para a prisão de quatro generais libaneses pró-Síria, em agosto passado, suspeitos de envolvimento no crime.
A polícia isolou a área da explosão e começou a reunir provas. Fontes do governo dizem que o coronel Shehadeh foi levado para um hospital na cidade de Sidon e que sua condição é estável.
Armadilha
O ministro da Informação do Líbano em exercício, Ahmed Fatfat, disse à televisão libanesa que um dos guarda-costas mortos pela bomba estava se passando pelo coronel Shehadeh no carro que liderava o comboio.
"Fica claro pela operação que salvou o coronel, usando um sósia, que havia a expectativa (de um ataque)", Fatfat disse à TV Futuro.
O incidente acontece duas semanas antes de o investigador-chefe das Nações Unidas submeter um relatório com as últimas descobertas sobre o caso Hariri à ONU.
Um relatório preliminar da organização havia apontado o envolvimento de oficiais de segurança da Síria e seus aliados nas agências libanesas no ataque a bomba que matou Hariri.
Uma série de ataques a bomba direcionados contra políticos e jornalistas anti-Síria ocorreu após a morte do então primeiro-ministro, em 2005.
A Síria negou qualquer envolvimento no assassinato, que acabou levando à retirada das tropas do país do Líbano, depois de 30 anos de presença militar.
Bloqueio
A explosão da bomba que atingiu o comboio de Samir Shehadeh acontece durante a frágil trégua entre Israel a milícia xiita Hezbollah na região.
Nesta terça-feira, o secretário-geral da ONU, Kofi Annan, afirmou que Israel poderia acabar com o bloqueio aéreo e terrestre no Líbano em breve.
"Não quero criar falsas esperanças, mas espero que nas próximas 48 horas tenhamos notícias boas e construtivas sobre esse assunto", ele disse a jornalistas logo após um encontro com o presidente egípcio, Hosni Mubarak, na cidade de Alexandria.
Israel mantém o embargo ao Líbano desde o início dos confrontos com o Hezbollah, que duraram 34 dias e terminaram em 14 de agosto.
O governo israelense respondeu aos comentários de Annan dizendo que acabaria com o bloqueio no Líbano assim que armamentos parassem de chegar até o Hezbollah.
"Quando o governo libanês, com o apoio das forças internacionais, estiver pronto para colocar em prática o embargo de armas ao Hezbollah, Israel estará pronto para suspender as restrições à movimentação de pessoas e produtos no Líbano", disse o porta-voz do Ministério do Exterior israelense Marc Regev.
Soldados
Na segunda, Annan disse que tanto Israel como o grupo militante libanês Hezbollah aceitaram que a ONU ajudasse os dois lados a chegar a um acordo no caso dos dois soldados israelenses capturados pelo Hezbollah.
Annan disse que designaria um mediador que trabalharia de forma "discreta e silenciosa" para encontrar uma solução para a questão.
"Eu não vou nem dizer o nome da pessoa, nem hoje nem amanhã, porque eu quero que ele seja capaz de trabalhar discretamente", afirmou Annan, segundo a agência de notícias Associated Press.
A captura dos soldados, em uma incursão do Hezbollah em território israelense no último 12 de julho, foi o estopim do conflito entre Israel e o grupo libanês xiita Hezbollah.