03 de setembro, 2006 - 00h43 GMT (21h43 Brasília)
O cultivo de papoulas no Afeganistão - matéria-prima para a produção de ópio - deverá aumentar em 59% neste ano, representando 92% da produção mundial da droga, de acordo com as Nações Unidas.
A Agência das Nações Unidas contra Drogas e Crimes (Undoc), sediada em Viena, na Áustria, prevê uma produção de 6,1 mil toneladas de ópio - boa parte proveniente de redutos do Talebã no sul do país.
"Estes números são muito alarmantes. O Afeganistão está cada vez mais preso em sua própria droga", disse o diretor da Undoc, Antonio Maria Costa, depois de entregar o relatório ao presidente afegão, Hamid Karzai, neste sábado.
O aumento ocorreu apesar de um amplo programa em andamento há dois anos para destruir plantações de papoulas e oferecer ajuda a agricultores para plantar culturas alternativas.
O narcotráfico no Afeganistão, estimado em US$ 2,7 bilhões, responde por cerca de um terço da economia do país.
Só na província de Helmand, onde houve uma elevação do número de ataques do Talebã a tropas internacionais, aumentou em 162% desde o ano passado, segundo a UNDOC.
Governo débil
Das 34 províncias do país, em apenas seis não há produção de ópio, afirma a agência.
O aumento do cultivo de papolas ocorreu ainda no nordeste do país, o que é atribuído à presença de comandantes de milícias e um governo débil, disse o relatório.
"A opinião pública está cada vez mais frustrada com o fato de que o cultivo de ópio no Afeganistão estar fora de controle", disse Costa.
"Investimentos econômicos, políticos e militares dos países da coalizão não estão tendo um impacto muito visível no cultivo de drogas."
Costa pediu ao presidente Karzai para obter "condenações e prisões significativas" usando o judiciário que a coalizão ajudou a treinar e estabelecer.