30 de agosto, 2006 - 19h49 GMT (16h49 Brasília)
O presidente da Síria, Bashar Al-Assad, acusou nesta quarta-feira o Conselho de Segurança da ONU de não tomar decisões isentas e interferir nos assuntos internos de diferentes países.
Assad fez a declaração em Damasco após o ministro do Exterior da Itália, Massimo D'Alema, ter dito que a comunidade internacional não vai assistir passivamente a uma eventual tentativa da Síria de enviar armas ao grupo libanês xiita Hezbollah.
A Itália deverá contribuir com três mil soldados para a força de paz da ONU (Unifil, na sigla em inglês) que vai monitorar o cessar-fogo entre Israel e o Hezbollah no sul do Líbano. O país deverá assumir o comando da força, atualmente da França, a partir de fevereiro do ano que vem.
No início deste mês, o Conselho de Segurança da ONU - cujos membros permanentes e com poder de veto são Estados Unidos, Grã-Bretanha, França, China e Rússia - aprovou a resolução 1701 que determinou, além do cessar-fogo entre Israel e Hezbollah, o desarmamento do grupo xiita e a ampliação da Unifil de dois mil para 15 mil homens.
Após a aprovação da ampliação da Unifil, Assad chegou a dizer que consideraria o patrulhamento da sua fronteira por soldados da ONU um "ato hostil", que poderia levá-lo a ordenar o fechamento da fronteira sírio-libanesa.
O Líbano disse que deslocaria as suas próprias forças para a região, mas que impediria o acesso de soldados da força internacional, numa decisão que foi apoiada pelo secretário-geral da ONU, Kofi Annan.
Annan é esperado em Damasco nesta quinta-feira.
"Solidariedade"
A crítica de Assad ao Conselho de Segurança da ONU coincide com uma visita do presidente venezuelano, Hugo Chávez, ao país.
Chávez, que visitou antes a China e a Malásia, disse que foi à Síria para demonstrar solidariedade com o país e outros Estados árabes na oposição a Israel e aos Estados Unidos.
O presidente venezuelano afirmou que está do lado desses países em oposição ao que ele chamou de "agressão imperialista" dos Estados Unidos no Oriente Médio.
"Temos a mesma opinião: rejeitamos o imperialismo americano e sua tentativa de hegemonia. Temos a mesma visão política. Somos dois países e dois povos resistindo e enfrentando a agressão imperialista", disse.
A Síria está sob pressão internacional, principalmente de Washington, para policiar a sua fronteira e interromper o suposto fornecimento de armas para o grupo xiita.
Logo depois da invasão de Israel no sul do Líbano Chávez retirou seu embaixador de Tel Aviv.
Boas-vindas
Milhares de sírios foram às ruas da capital, Damasco, para dar as boas-vindas ao presidente venezuelano.
De acordo com a TV venezuelana, Chávez afirmou que há muito tempo quer visitar a Síria e acrescentou que uma "nova era" em relações bilaterais começava com a visita.
Chávez e Assad assinaram uma série de acordos em áreas como agricultura e energia.
Ele está fazendo uma série de viagens pela Ásia, África e Oriente Médio no que está sendo visto como uma campanha para conseguir apoio para a Venezuela se tornar membro do Conselho de Segurança da ONU. Da Síria, Chávez deve viajar para Angola.
A Venezuela tenta ser o próximo país da América Latina a se transformar em membro não-permanente do Conselho de Segurança da ONU, mas os Estados Unidos devem tentar bloquear a candidatura.