29 de agosto, 2006 - 12h23 GMT (09h23 Brasília)
O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, chegou à cidade de Nova Orleans, na Louisiana, onde deve participar, nesta terça-feira, das cerimônias que marcam um ano da passagem do furacão Katrina.
Alguns bairros da cidade, a mais atingida pelo furacão e enchentes resultantes da ruptura de diques, continuam destruídos e praticamente metade da população ainda não voltou para suas casas.
Na segunda-feira, o presidente esteve no Estado do Mississippi, que também foi atingido pelo furacão, onde defendeu a resposta do seu governo à tragédia causada pelo furacão Katrina no ano passado.
"Há um ano, eu prometi ajuda federal", afirmou Bush em Biloxi, no Mississippi, a sua primeira parada num giro pelos locais mais arrasados pelo Katrina. "Eu estava falando sério. Nós alocamos US$ 110 bilhões (cerca de R$ 242 bilhões) para ajudar na reconstrução dessa área", acrescentou o presidente.
Frustração
Dos US$ 110 bilhões aprovados pelo Congresso, no entanto, apenas US$ 44 bilhões (R$ 97 bilhões) foram gastos, em meio a disputas entre autoridades municipais, estaduais e a Casa Branca.
Cerca de 1,5 mil pessoas morreram quando o furacão atingiu os Estados do Mississippi, da Louisiana e do Alabama no dia 29 de agosto do ano passado.
Bush reconheceu a frustração das pessoas com a ajuda federal, que foi muito criticada na época do desastre.
"Nós entendemos que as pessoas ainda estão ansiosas para entrar em suas casas. As pessoas ouvem falar da ajuda e se perguntam onde ela está. Nós sabemos disso", disse Bush.
O presidente se encontrou com líderes comunitários de Biloxi e caminhou por uma área devastada.
Nesta terça-feira, Bush deve tomar café da manhã com o prefeito de Nova Orleans, Ray Nagin, que criticou bastante as atitudes dos governos federal e estadual em relação ao desastre.
Grande parte de Nova Orleans foi inundada quando os diques que protegem a cidade cederam.
Os que não tiveram meios de escapar antes da chegada do Katrina, principalmente os pobres e idosos, foram abandonados na cidade. As cenas de miséria e desespero que se seguiram chocaram o mundo.
Nagin disse esperar que leve cerca de cinco anos para que o nível populacional se recupere - menos de 200 mil pessoas, de uma população original de meio milhão, já retornaram para a cidade.
O prefeito também prometeu defender a preservação de bairros negros tradicionais, embora se discuta se essa é a melhor saída dos pontos de vista econômico e ambiental.
A visita de Bush coincide com alertas meteorológicos de que a tempestade tropical Ernesto, atualmente em Cuba, pode atingir a Flórida com mais força durante esta semana.
A tempestade ganhou força no domingo, adquirindo status de furacão, antes de se enfraquecer novamente.