27 de agosto, 2006 - 02h12 GMT (23h12 Brasília)
O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, inaugurou neste sábado o novo setor de uma usina para a produção de água pesada, apesar dos temores da comunidade internacional quanto ao programa nuclear do país.
A água pesada será utilizada para resfriamento de um reator a ser instalado no local. O equipamento será capaz de criar um sub-produto do plutônio que poderia ser usado para a fabricação de armas nucleares.
Depois de uma visita às instalações em Arak, Ahmadinejad disse que o Irã não irá abandonar seu programa nuclear e reiterou que o objetivo do país não é produzir armas.
"Não somos uma ameaça para ninguém, nem mesmo ao regime sionista que é um inimigo do povo da região", afirmou, em referência a Israel.
'Omitida'
Os Estados Unidos divulgaram uma declaração a respeito da inauguração afirmando que apenas vão levar em conta as atividades do Irã quando o Conselho de Segurança da ONU se reunir para discutir o programa nuclear do país na quinta-feira.
Os líderes da França, o presidente Jacques Chirac, e da Alemanha, a chanceler Angela Merkel, pediram que o Irã aceitasse o pacote de incentivos que seria fornecido caso o país suspenda o enriquecimento de urânio.
Segundo as autoridades iranianas, a usina, localizada na cidade de Arak, poderá produzir até 16 toneladas de água pesada por ano - o dobro de sua capacidade original.
A analista da BBC Pam O'Toole lembra que o projeto deste reator há tempos é motivo de polêmica entre o Irã e alguns governos ocidentais.
A usina de Arak é uma de duas cuja existência foi revelada por um grupo de oposição, quatro anos atrás - até então, o governo iraniano havia deixado de declarar o local para a Agência Internacional de Energia Atômica da ONU (AIEA).
A cerimônia deste sábado ocorre ainda em meio a uma grande pressão internacional para que o Irã suspenda seu programa nuclear.
Na sexta-feira, o ministro do Exterior, Manouchehr Mottaki, disse que nenhum país conseguirá forças o Irã a desistir das atividades nucleares "por motivos pacíficos".
'Conversas sérias'
O Irã se ofereceu para ter "conversas sérias" sobre o assunto, em resposta a um pacote de incentivos que ganharia em troca de suspender o enriquecimento de urânio até 31 de agosto.
Mas os Estados Unidos disseram que, primeiro, gostariam de ver a suspensão das atividades, assim como a França.
A China e a Rússia reiteraram que as negociações são a única saída para o impasse.
O Irã poderá sofrer sanções se não suspender seu programa nuclear.