25 de agosto, 2006 - 09h50 GMT (06h50 Brasília)
Ministros da União Européia devem anunciar nesta sexta-feira, em Bruxelas, com maior precisão o número de soldados que serão enviados ao sul do Líbano como parte da força de paz no país.
O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, disse também que não espera atingir a proposta de reunir uma missão de 15 mil soldados na reunião de Bruxelas. “Mas vamos ter um bom começo hoje”, afirmou ele.
Na quinta-feira, a França anunciou que terá no país 2 mil soldados – 200 franceses já faziam parte das forças da ONU no Líbano, outros 200 chegaram nesta sexta-feira e 1,6 mil ainda serão enviados.
A Itália também deve revelar o número efetivo de militares que enviará. Os italianos disseram que podem contribuir com até 3 mil homens.
Espera-se ainda que outras nações, como a Bélgica, declarem o tamanho de sua contribuição.
Liderança
A ampliação da força de paz no Líbano foi aprovada como parte do cessar-fogo que terminou com o conflito de um mês entre Israel e o grupo militante Hezbollah.
No entanto, logo após o acordo, começaram a surgir dificuldades para tirar a proposta do papel.
Entre os problemas estavam dúvidas sobre qual seria exatamente o mandato da força de paz, se ela teria, por exemplo, que desarmar os homens do Hezbollah.
Também questionavasse até que ponto os soldados da ONU a permissão de se defender em uma regia conhecidamente volátil e historicamente perigosa para tropas de paz – na década de 80, 242 soldados americanos e 60 franceses foram mortos em atentados no sul do Líbano em um único dia.
A dúvida sobre a atitude de Israel após a chegada de novas tropas da ONU também gerou preocupações. Durante o conflito, quatro observadores da organização foram mortos em um bombardeiro de Israel.
Ao anunciar a contribuição da França na força de paz na quinta, o presidente Jacques Chirac disse que o país recebeu "os esclarecimentos necessários" de Israel, Líbano e ONU para aumentar sua participação na Unifil.
A organização tinha se mostrado bastante decepcionada com a resposta inicial dos países da União Européia – especialmente a França – para seu pedido feito de acordo com a resolução 1701.
A França foi bastante criticada por ter se comprometido inicialmente apenas 200 soldados. O país havia dito que estava preparado para liderar as tropas, o que passou a ser questionado após a atitude tímida dos franceses na primeira semana após o cessar-fogo.
Agora a liderança da operação poderá ser divida entre os franceses e os italianos, que se mostraram menos reticentes em relação ao seu envolvimento.