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23 de agosto, 2006 - 11h41 GMT (08h41 Brasília)

Europeus tentam destravar impasse sobre Líbano

O comitê de segurança da União Européia realiza uma reunião de emergência nesta quarta-feira em Bruxelas, na Bélgica, para discutir a participação do bloco nas forças de paz da ONU no Líbano.

Participam do encontro os embaixadores dos 25 países-membros e altos oficiais militares.

A reunião foi pedida pela Itália, que pressiona outros países da União Européia para enviar mais tropas para formar um contingente europeu de até 9 mil soldados. O governo italiano já se comprometeu a colaborar com 3 mil.

A Organização das Nações Unidas, que autorizou uma força de 15 mil soldados para manter o cessar-fogo, mostrou-se decepcionada com a resposta dos países europeus até o momento, já que muitos hesitam em comprometer tropas sem uma idéia mais clara sobre a missão das forças de paz.

Diplomatas da União Européia disseram que as tarefas das forças de paz ainda não estão claras. Acredita-se que os soldados não terão o dever de desarmar o Hezbollah, mas eles podem ter de assegurar que armas contrabandeadas não entrem mais no Líbano pelas fronteiras do país.

A França, que ofereceu apenas 200 soldados até o momento, disse que não pode prometer um contingente maior antes de saber quais são os termos da missão.

Havia a expectativa de que o país tivesse papel de liderança na missão no Líbano, como ocorre atualmente.

"Você não pode simplesmente decidir enviar milhares de pessoas", afirmou o ministro do Exterior Phillippe Douste-Blazy.

A ministra das Relações Exteriores de Israel, Tzipi Livni, viajou a Paris nesta terça-feira para tentar convencer a França a ter uma participação maior nas forças de paz.

"Frágil"

O encontro desta quarta-feira é uma prévia da reunião marcada para sexta-feira, da qual participarão os ministros do Exterior dos países da União Européia, além do secretário-geral da ONU, Kofi Annan.

Nesta terça-feira, o enviado especial da ONU ao Oriente Médio Terje Roed-Larsen disse que o cessar-fogo no sul do Líbano é ainda extremamente frágil.

Falando em Jerusalém, onde está tendo encontros com autoridades israelenses, Roed-Larsen disse que no momento há um vácuo de segurança que poderia durar até três meses.

Ele também revelou ter dito a Israel que qualquer ação militar contra militantes do Hezbollah na atual conjuntura iria desestimular países que cogitam contribuir com tropas para a força de paz da ONU.

Israel diz que não irá abrir mão do direito de atacar militantes do Hezbollah até que a força da ONU na região de conflito seja ampliada e comece a atuar.

Apoio condicional

A Itália, que se ofereceu para liderar a missão no Líbano, alertou que não poderá contribuir com tropas para a força de paz se o Exército de Israel mantiver os ataques na região.

O alerta foi dado pelo ministro das Relações Exteriores italiano, Massimo D'Alema, em entrevista ao jornal La Reppublica.

"Esperamos de Israel um esforço renovado, desta vez verdadeiramente comprometido, em respeitar o cessar-fogo", disse o chanceler.

"É justo esperar que o Hezbollah abaixe suas armas, mas não podemos enviar tropas para o Líbano se o Exército (de Israel) mantiver os ataques."

O primeiro-ministro italiano, Romano Prodi, afirmou ao secretário-geral da ONU, Kofi Annan, que tomará a decisão sobre a liderança da missão no Líbano até o fim de semana.

A notícia foi recebida positivamente pelos governos do Líbano e de Israel.