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21 de agosto, 2006 - 00h40 GMT (21h40 Brasília)

Eleição no Congo será decidida no 2º turno

Os resultados oficiais das históricas eleições presidenciais na República Democrática do Congo divulgados neste domingo indicam que será necessária a realização de um segundo turno para decidir quem vai liderar o país, depois que nenhum dos candidatos obteve pelo menos 50% dos votos.

O atual presidente, Joseph Kabila, obteve 44,81% dos votos no pleito, realizado em 30 de julho, e vai disputar o segundo turno com Jean-Pierre Bemba, que ficou com 20,03%.

A nova votação está marcada para 29 de outubro.

Uma pessoa morreu na capital do país, Kinshasa, neste domingo, em tiroteio entre os guarda-costas de Bemba e a polícia, leal a Kabila.

As eleições de julho foram as primeiras plenamente democráticas no país desde a sua independência, em 1960.

Trinta e dois candidatos presidenciais e 9.709 candidatos para o legislativo disputaram os votos de 25,6 milhões de eleitores. O pleito põe fim a um processo de transição estabelecido depois de cinco anos de uma guerra que terminou em 2003.

Alerta

As forças de segurança congolesas e a missão de paz das Nações Unidas no país estão em estado de alerta para impedir mais distúrbios, embora alguns observadores acreditem que um segundo turno pode acalmar a violência que poderia eclodir se Kabila tivesse uma vitória imediata, especialmente em Kinshasa, onde Bemba tem grande apoio.

A polícia foi vaiada em alguns bairros da capital, onde muitos eleitores consideram a instituição uma milícia particular do presidente, disse o repórter da BBC, Said Penda.

O presidente da comissão eleitoral independente, Appolinaire Malu-Malu, é um dos homens com maior proteção no país, jamais viajando sem guarda-costas armados.

Há ainda temor de violência na cidade de Mbuji-Mayi, na região central do país, um reduto do veterano líder da oposição, Etienne Tshisekedi, que boicotou as eleições.

Vários dos candidatos presidenciais queixaram-se de "grandes irregularidades" na apuração dos votos.

Angola, país vizinho à República Democrática do Congo e forte aliado regional de Kabila, confirmou que está enviando tropas para a fronteira, mas afirmou que este é apenas um procedimento de segurança rotineiro.