18 de agosto, 2006 - 09h59 GMT (06h59 Brasília)
Quatro novos países se comprometeram a enviar tropas para a força de paz da ONU no sul do Líbano, mas funcionários da organização ainda têm dúvidas se as ofertas serão suficientes para garantir a mistura ideal necessária para o primeiro deslocamento à região.
Durante uma reunião na sede da ONU em Nova York na quinta-feira, Bangladesh, Indonésia, Malásia e Nepal ofereceram soldados, enquanto Alemanha e Dinamarca prometeram ajuda com navios e forças marítimas.
A França, que lidera a atual força de 2 mil homens da ONU no sul do Líbano, a Unifil, e manterá a liderança após a ampliação, ofereceu mais 200 engenheiros militares num primeiro momento, frustrando expectativas por um efetivo maior.
A ONU espera conseguir enviar ao menos 3,5 mil homens ao sul do Líbano em até duas semanas e posteriormente aumentar seu efetivo até chegar a 15 mil soldados na região.
Durante a reunião em Nova York, o vice secretário-geral da ONU, Mark Malloch-Brown, disse que o cessar-fogo atual é frágil e que qualquer atraso pode levar a mais violência entre Israel e o grupo xiita Hezbollah.
Cerca de 50 países interessados em colaborar com a ampliação da Unifil participaram da reunião.
Esclarecimentos
Segundo o correspondente da BBC nas Nações Unidas, a organização planejava formar uma força com um grande contingente de países europeus, com a França fornecendo a maior parte do efetivo.
Porém alguns países enfrentam resistências internas à participação na força da ONU e muitos ainda aguardam esclarecimentos sobre as regras para a formação e o funcionamento da força internacional de paz.
O governo francês expressou preocupação de que a missão e o mandato da força internacional ainda não estão suficientemente claros e pediu um esclarecimento.
De acordo com a resolução da ONU que permitiu o cessar-fogo entre Israel e o Hezbollah iniciado na segunda-feira, a força ampliada da ONU deverá trabalhar conjuntamente com o Exército libanês para manter a paz no sul do país.
O Exército libanês também prometeu mandar 15 mil soldados para a região.
O deslocamento do Exército libanês, iniciado na quinta-feira, continuava nesta sexta-feira, com a chegada dos soldados à devastada cidade de Khiam, a sete quilômetros da fronteira com Israel.
Esta é a primeira vez que o Exército libanês chega a algumas partes do sul do país desde os anos 1960.
Reconstrução
O chefe da agência oficial que assessora o governo no trabalho de reconstrução após os bombardeios israelenses criticou as autoridades por não estarem fazendo o suficiente.
Al-Fadel Chalak, que era próximo ao ex-primeiro-ministro Rafiq Hariri, assassinado no ano passado, disse que falta ao governo poder de decisão e que enquanto isso o Hezbollah está preenchendo o vazio deixado pelo Estado, com potenciais repercussões políticas.
O ministro de Obras Públicas, Mohammed Safadi, negou as acusações, mas admitiu que o governo enfrenta uma escassez de recursos.