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17 de agosto, 2006 - 13h37 GMT (10h37 Brasília)

Ataques anti-EUA quase dobram no Iraque, diz 'NYT'

Dados compilados pelo Exército americano em Bagdá e publicados pelo diário New York Times mostram que os ataques às forças americanas e iraquianas aumentaram 80% entre janeiro e julho deste ano.

Para o jornal, este é um indicativo de que “a insurgência anti-americana continua a ganhar força” no Iraque, apesar da morte do líder da rede Al-Qaeda no país, Abu Musab al-Zarqawi.

As estatísticas ignoram as irrupções de violência sectária entre xiitas e sunitas, que continuam se reproduzindo em larga escala, para concentrar-se no número de bombas plantadas à beira de estradas, estratégia de efeito mais letal usada pelos insurgentes.

De um total de 2.625 bombas em julho, 1.666 explodiram e 959 foram descobertas antes de serem detonadas, disseram as autoridades.

Em janeiro, 1.454 bombas foram detonadas ou descobertas.

Como resultado, embora o número de soldados americanos mortos em ação tenha sido levemente menor em julho em relação a janeiro (38 e 42, respectivamente), o número de feridos aumentou significativamente: de 287 para 518 no mesmo período.

Dilema

Para o NYT, Washington está diante de um dilema: “mesmo que o Iraque dê passos importantes em direção à democracia, incluindo a eleição de um governo permanente a partir do segundo semestre, a violência piorou”.

O outro lado da violência crescente são os atentados sectários nas diversas partes do país.

Nesta quinta-feira, mais um carro-bomba foi detonado em um mercado em Sadr City, um distrito xiita da capital iraquiana, Bagdá.

O local vem sendo alvo de freqüentes ataques.

Em outro incidente, a polícia anunciou ter descoberto no rio Tigre os corpos de cinco civis. Eles estavam vendados e cravados de balas.

Outros atentados a bomba e assassinatos se multiplicam pelo país.

Há algumas semanas, os Estados Unidos realocaram 4 mil soldados de seu efetivo no país para a capital iraquiana, justamente na tentativa de controlar a violência sectária.

O comandante do Exército americano no Iraque, John Abizaid, advertiu que o Iraque poderia mergulhar em uma guerra civil se a tendência não fosse contida.