17 de agosto, 2006 - 10h08 GMT (07h08 Brasília)
O procurador do município de Tocache, na Amazônia peruana, pediu à Justiça do país que abra um processo contra o líder oposicionista Ollanta Humala, derrotado nas eleições presidenciais de 4 de junho.
As acusações de tortura, assassinato e desaparição remontam à época em que Humala comandava a base militar de Madre Mia, entre 1992 e 1993, durante o auge da luta contra a guerrilha maoísta Sendero Luminoso.
Há 14 anos, o casal Benigno Sullca e Natividad Ávila foi levado para a base, junto com o irmão de Natividad, Jorge, relata o procurador no pedido de abertura de processo encaminhado à Justiça.
Testemunha-chave no processo, o irmão diz ter sobrevivido a torturas ordenadas por um homem que se identificava como Capitão Carlos, supostamente Ollanta Humala.
O corpo de Benigno foi encontrado com um tiro na testa. Sua esposa nunca reapareceu.
A juíza do caso tem duas semanas para decidir se abre ou não o processo contra o líder oposicionista.
Outro lado
Ollanta Humala, que lidera a maior coalizão no Congresso peruano, não se pronunciou sobre as acusações.
Seus advogados afirmaram que não há provas dos crimes e que o ex-comandante está sendo vítima de perseguição por parte do governo do presidente Alan García.
Citando fontes do Poder Judiciário, o jornal La República afirma que o processo tem falhas de “fundamentação jurídica” – não poderia, por exemplo, acusar Humala por crimes de tortura, pois esse delito não existia na legislação peruana de 1992.
Segundo o jornal, cabe à juíza do caso decidir se recusa ou abre o processo contra o líder oposicionista, ou se devolve a petição aos procuradores, para que eles refaçam o texto.